Música

Mudanças da nossa música sertaneja que muitas vezes dividem opiniões

O sertanejo sempre foi conhecido por ser a música do campo, que fala do cotidiano do interior. Mas, ao longo dos anos, o gênero musical foi mudando e ganhando influências urbanas. A moda de viola não é mais a mesma. Isso ficou mais presente de uns anos para cá, quando o sertanejo universitário passou de brega a tendência. Mais do que nunca, a evolução do sertanejo ficou clara.
Quando a música caipira começou a tomar espaço, Raul Torres & Florêncio formaram uma das primeiras duplas conhecidas da música de raiz. A temática da época de ouro do estilo caipira é a vida no campo. Roupa social, com camisas chamativas, lenço no pescoço e, claro, sem deixar de lado o chapéu.
Lá pelos anos 1940, o estilo começou a atrair cantores mais jovens. Na maioria das vezes irmãos, os duetos ficaram mais coesos. Os artistas usavam roupas iguais ou que combinassem entre si, como a camisa e o lenço no pescoço de Tonico & Tinoco.
Uma década depois, o sertanejo sofre uma influência do melodismo sertanejo. O chamado pagode caipira deixa não só os versos mais soltos, como o visual mais leve. As duplas passam a usar roupas mais do dia a dia, e não visuais formais.
E foi com Chitãozinho e Xororó que o público começou a sentir os caminhos que a música caipira iria tomar. Os irmãos surgiram como uma legítima dupla caipira e de visual igual, mas, na década de 80, começam a substituir as temáticas caipiras pelas influências urbanas. Cinto com fivela, jeans e cabelo arrepiado tornam-se ícones do sertanejo.
Depois do romantismo, o sertanejo ganha uma influência gringa, do folk. Nos anos 90, Almir Sater entra para o elenco de uma novela e ajuda a divulgar o estilo caipira. Na mesma época, Renato Teixeira ajuda a fazer a ligação entre a MPB e o sertanejo, como forma não de afastar o gênero do campo, mas de aproximar a cidade do estilo caipira.
Enquanto os caipiras mantêm as raízes, o estilo e os temas, os sertanejos românticos investem cada vez mais no comercial e na cidade. Muito jeans, bota, cinto e, algumas vezes, chapéu formam o estilo caubói.
Mesmo ainda sendo vítima de preconceito por ser tratado como uma música do interior, o sertanejo ganha o gosto popular e os cantores passam a ser referência não só musical como também de estilo, tanto nas roupas quanto nos penteados.
Camisa e calça jeans. No pé, um sapatênis. Do sertanejo, a única coisa que fica é o xadrez. Na música, a influência do pop fica muito mais evidente.
A música Chora, me liga fecha o ano de 2009 como a mais tocada no Brasil e fica clara a repercussão que a música sertaneja tomou. Principal ritmo nas festas universitárias, o estilo atinge todas as classes sociais. Como nem todos os cantores e o público que ouve são do campo, o estilo passa a ser total urbano. Nas festas, nada de bota, calça apertada e cinto com fivela. Tênis e camiseta viram parte do figurino.
O estilo de se vestir do cantor Michel Teló caracteriza exatamente o atual momento do sertanejo, bem cara de balada. Cabelo arrepiado, camisa, calça jeans skinny e tênis compõem o uniforme do sertanejo. Do sertanejo mesmo, Teló e outros artistas dessa leva conservaram somente o xadrez, mas nunca por dentro da calça ou fechado até o pescoço.
Caipira? Não. Nada ficou do estilo do campo. O sertanejo romântico vira pop, o cabelo é arrepiado e o corpo é bombado de academia. Pulseiras, colares, caveira, colete e coturno são incluídos em grande parte dos figurinos e nomes como Luan Santana e Gusttavo Lima começam a ditar moda não só para os amantes da música sertaneja, como de outros estilos.
E muitos outros nomes surgiram, dando mais força a essa nova tendência, inclusive as mulheres, que hoje têm grande peso também no mercado musical do novo estilo; nomes como de Marilia Mendonça, Maiara e Maraisa, Naiara Azevedo, Paula Mattos, entre outras, na levada “Sofrência”, como é conhecida atualmente.

Fonte: Wagninho

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