Cidade

Comerciantes pedem fiscalização contra pichações e punição aos infratores

Centro da cidade lidera o número de registros na PM seguido pelo bairro Fundinho

A partir da polêmica iniciada em São Paulo sobre as pichações, a reportagem de O JORNAL de Uberlândia ouviu comerciantes em que os imóveis foram alvos desse tipo de danos. A poluição visual e depredação do patrimônio são os principais problemas. Como solução, pedem uma maior fiscalização do poder público.
A proprietária de um estabelecimento no centro da cidade Maria Júlia da Costa disse que o imóvel foi alvo de pichadores há cerca de quatro anos. “Pintei a fachada inteira para se adequar ao código de posturas e logo em seguida, ela foi pichada. Essa semana novamente a fachada foi alvo de vandalismo”, afirmou. Após ter gasto cerca de R$ 6 mil com a pintura, ela disse que desistiu de repintar porque acredita que o imóvel sofrerá dano novamente.
Para Maria Júlia da Costa, a alternativa para a redução das pichações é uma fiscalização com identificação das pessoas que vandalizam o patrimônio privado e a obrigação de reparar o dano ao imóvel. “Se quem faz for obrigado a reparar ele não fará mais isso”, disse.
Com a fachada de seu estabelecimento no bairro Santa Mônica pichada e repintada quatro vezes nos últimos dois anos, o empresário Donizete Tavares afirmou que o maior dano é moral. “A insatisfação de ver seu patrimônio ser depredado por vândalos é muito grande, a solução é as autoridades tomarem providências e punir com mais rigor esses infratores”. Ele disse que cada vez que pinta as paredes do imóvel gasta cerca de R$ 500,00.
A reportagem de O JORNAL procurou a Prefeitura para falar sobre as pichações e possíveis soluções, mas até o fechamento desta edição não obtivemos resposta.

Registro de ocorrências ajudam nas investigações
A Polícia Militar informou que de 2015 a 2017 foram registradas 25 ocorrências de pichações ou danos a edifício ou monumento urbano consumado em Uberlândia. O centro lidera com dez ocorrências, seguido pelo bairro fundinho com sete e outros bairros do setor central, zona leste e norte juntos apresentam oito registros.
Segundo assessor de imprensa da 9ª Região de Polícia Militar (9ª RPM), major Julio Cesar Cerizze Cerazo de Oliveira, o período de volta às aulas eleva o número de pichações. “A maioria dos pichadores são alunos. No viaduto da avenida Rondon Pacheco com a Avenida João Naves de Ávila e na passarela próxima à prefeitura, as pichações são feitas por alunos da UFU, que em tese seriam pessoas esclarecidas”, afirmou.
Ele destacou a importância dos proprietários de imóveis registrarem ocorrências, mesmo que não saibam a autoria. “Conseguimos planilhar e com base na estatística, passar estas informações no boletim de ocorrência e encaminhar para o delegado, que vai subsidiá-lo nas investigações para chegar na autoria do crime”.
De acordo com o Major Julio Cesar, a partir do aumento do número de registros, a Polícia Civil terá mais investigações a serem feitas e apresentará uma proposta ao Ministério Público, ao Poder Legislativo para que se altere a legislação referente aos pichadores.

Grafite
O assessor de imprensa da 9ª Região de Polícia Militar (9ª RPM), major Julio Cesar Cerizze Cerazo de Oliveira afirmou que na maioria dos casos o grafite é autorizado pelos donos de imóveis. Ele disse que em alguns casos, o grafite pode ser uma solução para alguns muros como forma de evitar a pichação, mas não dá para confiar muito nisso.

Texto: Leonardo Leal

Notícias relacionadas