Economia

No 1º dia, Caixa pagou FGTS a 2 de cada 3 trabalhadores que têm direito

WÁLTER NUNES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) No primeiro dia de saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) 3,3 milhões de pessoas receberam R$ 3,8 bilhões, ou cerca de R$ 1.150 em média por pessoa, segundo balanço divulgado pela Caixa Econômica Federal.
O total de pessoas que acessaram o dinheiro representam dois terços do total de 4,8 milhões de trabalhadores que têm direito ao saque nessa primeira etapa.
O dinheiro das contas inativas do fundo começou a ser pago na sexta (10). Cerca de 1,9 milhão de pessoas receberam um total de R$ 2 bilhões por meio de crédito em conta.
Outros 1,4 milhão de trabalhadores foram até agências bancárias, lotéricas, correspondentes e autoatendimentos do banco para sacar a verba, que somou R$ 1,8 bilhão. A maioria dessas pessoas são as que puderam sacar após a liberação do governo, diz a assessoria da Caixa, mas o número também inclui trabalhadores demitidos ou que se aposentaram, casos em que a lei já prevê direito ao saque.
O primeiro dia de saques registrou problemas. O mais comum foi o de trabalhadores que tinham saldo em contas inativas, mas foram informados de que elas estavam zeradas pelo banco. Outro transtorno comum foi o de pessoas que não conseguiram sacar porque não tinham a rescisão do contrato de trabalho.
A vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Deusdina dos Reis Pereira, disse que os problemas são pontuais e o sistema está sendo melhorado.
“São casos pontuais que nós verificamos. Os casos mais comuns são de pessoas que têm mais de uma conta e transferiu apenas um deles para a conta poupança, ou às vezes o sistema apareceu uma [conta] e ele tem mais de uma” diz.
Houve quem não conseguisse resolver o problema pela internet e teve que ir ao banco. O auxiliar de enfermagem Marcos Heitor de Mello Bertoto, de 27 anos, tentou acessar de casa seu saldo do FGTS, mas não conseguiu. O sistema travou quando ele preenchia o campo em que deveria informar o nome dos pais.
Neste sábado (11) ele acordou cedo e foi um dos primeiros a chegar na agência da Avenida Paulista, no centro de São Paulo, que abriu às 9h.
“Encontrei uma fila pequena, fui atendido logo, chequei o saldo e já agendei a transferência para a minha conta”, disse Bertoto. Como é correntista da Caixa, ele não precisa voltar ao banco para sacar. “Vai cair na minha conta no dia 16”. Recém casado, Bertoto vai usar os R$ 1.800 para comprar móveis para a casa nova.
CARTEIRA DE TRABALHO
A Caixa, no início, orientou que apenas trabalhadores que tinham direito a sacar altas quantias deveriam apresentar a carteira de trabalho, mas o documento foi exigido mesmo para saques pequenos.
Segundo Deusdina, não há falha de comunicação e o tempo melhorará o sistema. “Ao longo do processo, quando há um número muito expressivo de atendimentos, você vai otimizando a comunicação. Então eu não considero que é falha. Muito pelo contrário. É uma otimização do processo”, disse.
A vice-presidente repassou orientações para quem está tendo dificuldades.
“Quando acontece alguma divergência entre a expectativa do trabalhador e o que Caixa disponibilizou a orientação é ir sempre a uma agência, a um caixa, para a gente verificar se é inconsistência cadastral, que é a maioria dos casos, e em outras situações também a ausência de data de afastamento que tem que ser informada pelo empregador. Via de regra, a maioria dos casos daqueles que realmente têm direito são essas duas situações”, diz Deusdina.
Edgleide Elza Ferreira da Silva, de 28 anos, foi com a mãe para a agência. Ela trabalha como recepcionista e estuda odontologia. Com os R$ 8.000 que sacou hoje pagou algumas contas e agora vai comprar material o material didático pedido pela faculdade. “Vou gastar uns R$ 5.000 com material no terceiro trimestre. O dinheiro veio em boa hora”, diz.

Foto: Marcus Leoni/Folhapress

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