Cultura

O abuso

Os senhores de escravos da velha Uberabinha aprontaram antes e depois da Abolição. Antes da Abolição, esses caras venderam como escravos jovens nascidos após a Lei do Ventre Livre, de 1871. Documentos da Igreja, assentos de casamentos da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião, registram vários enlaces de escravos nascidos após aquele ano. Ora, quem nascia de mulher escrava após 1871 não era mais escravo.
O mais espantoso é o registro de casamento de Camilo Crioulo, com 35 anos de idade, e Agostinha Crioula, com 27. O registro tem todas as características de um casamento de escravos: não consta onde nasceram, não consta de quem eram filhos, não constam os nomes completos dos nubentes, mas está bem claro que Camilo Crioulo era escravo de José Gomes de Miranda e Agostinha Crioula era escrava de José Fernandes de Miranda. Mas, como, escravos, se estavam casando no dia 10 de novembro de 1888 e a Abolição tinha sido assinada a 13 de maio, ou seja, cinco meses antes? Pois está lá no Livro n. 4 de Casamentos da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo.

Texto: Sr. Antônio Pereira
(Crônica)

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