Entrevista

Antônio David de Souza: 60 anos dedicados à mecânica e tornearia

Otimista com a cidade, o profissional aconselha os jovens a se especializarem para aproveitar as oportunidades do ramo

O torneiro mecânico Antônio David de Souza, de 86 anos, trabalha com a mesma disposição dos anos em que entrou para a área da mecânica. Hoje, com 60 anos de experiência profissional, ele compartilha um pouco da sua visão de mundo. Otimista com a cidade que lhe deu oportunidade nos anos 1950, ele aconselha os jovens a se especializarem e afirma que o ramo tem demanda de profissionais.

Quando o senhor veio para Uberlândia e qual foi seu primeiro emprego?
Sou do estado da Paraíba e vim para Uberlândia com 17 anos de idade, em busca de oportunidades de melhorar de vida. Meu primeiro emprego foi como operador de máquina em terraplenagem. Aprendi tudo o que sei com o pessoal com quem trabalhei e com a própria experiência.
Nessa época, o responsável pela oficina achou que eu levava jeito para a mecânica e fui trabalhar nessa área. Fiquei cerca de 20 anos nesse setor, depois, com a evolução da mecânica e a entrada da eletrônica, passei para tornearia e soldagem e estou há 40 anos.

Como o senhor vê a área de mecânica em matéria de oportunidades de trabalho?
Nessa área em que trabalhei a vida toda, existem oportunidades para os jovens. O ramo é bom e tem campo de trabalho. A juventude que está estudando está bem encaminhada para o futuro, mas ainda falta muita mão de obra especializada para o Brasil. A nova geração tem que se especializar.

Quais as pessoas importantes que o senhor conheceu nesses 86 anos de vida?
Encontrei muitas pessoas importantes na vida, a que mais me marcou foi um engenheiro do grupo Carfep, Helvécio Alves Carneiro. Ele viu futuro em mim e me deu a chance de trabalhar. Com essa oportunidade eu aprendi tudo o que sei da parte da mecânica.

Qual o balanço que o senhor faz da vida hoje, com 86 anos de idade e 60 de atividade profissional?
A vida tem sido muito boa para mim, estou com saúde, sou casado há 50 anos, tenho três filhos e uma filha, o mais velho está com 48 anos. Não consegui fazer muita economia, mas tenho minha casa e meus filhos. Por tudo isso, só tenho a agradecer a Deus. Se voltasse no tempo, trabalharia novamente nessa área.

Quais as lembranças que o senhor tem de Uberlândia no passado?
Cheguei a Uberlândia em 1956, morei muitos anos de aluguel perto da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Acima da igreja tinham poucas casas, que ficavam muito afastadas, era uma grande área de cerrado, com muito campo, com ovelhas e outros animais. Sempre morei do Rio Uberabinha para cima e, desde 1981, moro no Bairro Alvorada [Zona Leste]. Os bairros cresceram muito. Outra mudança que lembro é que onde é a Fepasa, antes só existia ela, e hoje têm muitas casas e pequenos prédios.

Como o senhor vê o futuro da cidade?
Uberlândia é um lugar muito bom para se viver, um dos melhores do Brasil. É uma cidade que oferece oportunidades de trabalho. Acredito que ela tem tudo para melhorar nos próximos anos, com mais indústrias vindo para a cidade e mais empregos. A situação está difícil para o Brasil como um todo, mas a tendência a partir de agora é melhorar.

Texto: Leonardo Leal

Notícias relacionadas