Futebol

Histórias de futebol

A convite do amigo João Antônio, fui a Uberaba. Torcedor fanático do Vermelhinho Zebu. E ele desabafou:
– Você sabe, né, Lucimar?
– Saber o que, João?
– Perdemos tudo! Tomaram até nossa casa! Não temos nem onde treinar! Hoje o Uberaba tenta e luta desesperadamente para subir, sem a mínima estrutura. A torcida está no chão! Bem desanimada!
Ouvi o amigo com muita pena e atenção. Meu anfitrião precisava falar! O seu desabafo, percebi ser uma terapia. O almoço foi um luxo! Supergostoso, com o tradicional frango caipira da terrinha. Com a barriga cheia, fui para Araguari. Ansioso pela demora, José Batista esperava-me. Foi uma recepção maravilhosa! Após alguns dedos de prosa, foi inevitável: o tema passou ser futebol.
– Sabe o que nunca esqueço, Lucimar?
– Não! O quê?
– Aqueles pegas entre o UEC e o Araguari!
– É mesmo, sô! Ninico fechando gol! Luís Silva provocando todo o Juca Ribeiro, deixando a torcida esmeraldina maluca de raiva. E o Zinho metendo aqueles pombos sem asas onde a coruja dorme, deixando o Vasconcelos Montes mudo!
Maneirei um pouco. Notei os olhos do amigo marejados. Prossegui:
– Saía fogo, né?!
– É! É por isso que confessarei uma coisa: se um milagre acontecer e o Araguari renascer, serei mais tolerante! Para mim, qualquer diretoria era burra! Sempre sabia mais que ela! Nas rodinhas de amigos, era o bam-bam-bam! Pagava meia-entrada, pensava ser o rei da cocada preta! Meu direito de exigir não possuía limites! Um dirigente adquiria um carro novo, esparramava que estava roubando do clube! É verdade! O tempo é o senhor da razão! Foi passando, passando… Os homens de bem, com receio de tanto serem malhados como Judas, aos poucos, abandonaram esse esporte, matando-o aqui!
– Discordo de você, amigo! Certamente houve outras circunstâncias que não conseguimos detectar. Recomeçar nunca será impossível!
– Virei torcedor do Verde, Lucimar! Gosto disso! Todo domingo, eu e meu filhão estamos no Sabiá, vibrando com o Verdão! Quando chego lá, curto aquela galera maravilhosa e entro no clima! Embora de Araguari, recebem-me de braços abertos e euforia extrema. O Furacão pertence a uma galera exigente. Cobra e primeiro apoia! Por isso é forte! Escreva e depois me exija: vamos ganhar do Cruzeiro, com Mano e tudo!
Pensei com meus botões: como esse Dom Juan, chamado Verdão, conquista as pessoas!… É muito poder! É muito amor!

Texto: Lucimar César

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