Cultura

O Cruzeiro anos 60

O Cruzeiro anos 60 teve um dos melhores times de todos os tempos no Brasil.
Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Ilton Oliveira e o goleiro Raul Plassmann foram seus grandes ídolos. Tanto que golearam o Santos de Pelé no Mineirão por 6 a 2. Na época, o machismo era exacerbado. Goleiros jogavam de preto total, inclusive chuteiras. Raul, loiro boa-pinta, quase 1,90 m de altura, vestia uma camisa amarela chamativa. Seu fã-clube de mulheres bonitas, enorme, deitava e rolava. A galera adversária, usando máxima maldade, o apelidou de Wanderleia. Raul, de refinada cultura e bom moço, levava tudo na farra. Não saia da mídia nacional.
Numa entrevista do Raul, numa TV paga, ouvi o seguinte: segundo ele, visitava os pais numa cidadezinha do Paraná. Descansava numa cadeira de balanço. Notou que sua mãe o fitava insistentemente. Incomodado com tantos olhares, insistiu com ela:
– Fala, minha velha! Eu a conheço! O que há com você?
– Tá bom, filho! Então, conta só para sua mãe, filho! Conta, querido! Juro que guardarei segredo!
Raul começou a rir sem parar.
– Até tu, mamãe?!
Outro episódio ocorreu no Parque Antártica, jogo Cruzeiro e Palmeiras. Chovia a cântaros! Bola de “cobertão” escorregadia e encharcada! Num escanteio, esfera na pequena área, Raul saiu catando borboletas, errou o soco na gorduchinha. A redonda sobrou de frente ao gol, escancarado para o centroavante César Maluco. Ele faria o gol. Raul, desesperado, agarrou-lhe a camisa, derrubando-o. Num ímpeto, levantou-se rápido e despachou a bola para o ataque da Raposa. Desde então, Raul ficou intrigado com o árbitro Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques, o melhor do País na época, não ter dado aquele pênalti escandaloso. Vinte anos depois, numa palestra que iria dar num evento, Raul encontrou Armando Marques no corredor do prédio. Cumprimentou-o. Após alguns passos, Raul, não suportando a curiosidade de duas décadas:
– Senhor Armando Marques!
– Pois não, Raul!
– Lembra-se daquele jogo do Cruzeiro contra o Palmeiras em que era o árbitro?
– Sim, meu filho!
– Recorda aquela penalidade máxima quando segurei a camisa do César Maluco?
– Cristalinamente, garoto! Como se fosse hoje!
– Por que, então, não deu aquela falta?
Armando riu gostosamente, dizendo:
– Você acha que eu iria punir aquele goleiro lindo, olhos azuis, camisa belíssima amarela, em favor daquele monstro, cabelos horríveis e, ainda, maluco?

Texto:Lucimar César

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