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A BANDA DOS CARNEIROS

O tenente-coronel da Guarda Nacional, José Theóphilo Carneiro, era um homem empertigado, de estatura um pouco baixa, irreverente, audacioso, líder político de uma facção do Partido Republicano que nunca se dava bem nas eleições municipais. Morava no Largo da Independência, hoje Coronel Carneiro, num sobrado que ficava na parte alta do logradouro, na linha da Rua Tiradentes.
A Banda União Operária era a banda oficial da cidade. Era do Partido “Cocão” (adversários do coronel).
O centro da cidade ainda estava no Fundinho. Era o Largo da Independência com seu coreto. Nos domingos, ficava apinhado de moços e velhos e crianças, passeando e aguardando o momento da retreta. O coreto ficava defronte à casa do coronel. Ele não era um ranzinza, mas aqueles sons da banda adversária, todos os fins de semana nos seus ouvidos, irritavam-no. Meio atrevido, intimorato, o coronel não teve dúvidas. Montou a sua própria banda.
Até aí, nada de mal. Entretanto, o coronel pôs a sua banda, chamada Banda dos Carneiros, para ensaiar dentro da sua própria residência. Abria as portas e as janelas que davam para a praça e punha a banda para ensaiar exatamente no domingo, na hora da retreta da União Operária! O povo se irritou com o desencontro das bandas e ameaçou invadir a casa e acabar com os desmandos do coronel. Segundo um jornal da época, não fosse a intervenção enérgica do delegado especial de polícia, a coisa não teria terminado bem, não.
Esse coronel era danado!

Fontes: Jornais da época.
Texto: Antônio Pereira
Foto: Acervo João Quituba (www.museuvirtualdeuberlandia.com.br)

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