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E se Donald Trump fosse prefeito de Uberlândia?

O JORNAL me convidou para, quinzenalmente, escrever minhas ironias sobre as ironias do nosso dia a dia. Ironicamente aceitei. Logo eu, que quase não gosto de um belo sarcasmo nesse mundo redondamente chato.
Então na minha estreia por aqui resolvi propor um exercício mental sobre o mais sapeca dos governantes que 2017 nos trouxe: o fanfarrão do novo presidente norte-americano. E a questão que proponho pra hoje é:

E se Donald Trump fosse prefeito de Uberlândia?

O muro começaria na BR-050 e rodearia a cidade até a 365. UAIs e a Medicina da UFU parariam de receber ambulâncias com pacientes de outras cidades. Impostos e taxas iriam cair feito tempestade em cima de produtos que não fossem fabricados aqui, para valorizar as indústrias locais. Isso incluiria do queijo canastra às pamonhas de Patos de Minas. A Feira da Lua voltaria pra Goiânia e a Feira Hippie não se atreveria a vir de BH.
Paulo Piau, prefeito de Uberaba, poderia até vir propor uma cooperação entre as cidades, mas não iria ter aperto de mão. Jamais.
No trânsito, todas as regras seriam banidas e os motoristas, liberados para fazer o que bem entendessem – afinal de contas o novo prefeito viria para valorizar e estimular tudo o que já é intrínseco à cultura local. Isso incluiria chegar atrasado aos lugares e não cumprimentar quem não é do seu círculo particular de amizades, hábitos fortes dos Estados Unidos do Cerrado.
Gilmar Obama não seria o único culpado pela falta de pagamento aos servidores municipais. A maior culpada seria a imprensa. A TV Integração seria denominada Fake News. Acusada de inventar o caos nas finanças e na saúde pra causar revolta na população. E os que se dispusessem a escrever algo contra nas redes sociais seriam achincalhados pela comunicação do governo. A Algar Telecom seria acusada de grampos. O Realidade Uberlandense seria nosso Wikileaks.
The Afonso Pena Street, nosso centro financeiro, viraria uma muvuca a cada declaração bombástica do ömi laranja. A solução pras tantas invasões de terra seria: tiro, porrada e bomba.
Por outro lado o orgulho de ser uberlandense afloraria. Haveria uns dois feriados por ano só pra comemorar esse sentimento. Pararíamos de achar que só o que é de fora presta e que São Paulo é a única cidade que tem algo de bom. Prestaríamos mais atenção nas empresas locais e lotaríamos nosso Sabiá Park para ver os jogos do verdão – o Big Green. A cachaça Rainha de Uberlândia venderia mais que Budweiser. “Uberlândia first” seria nosso slogan. Teríamos tanto orgulho da Tubal Vilela como das fotinhas de fim de ano na Times Square.
Estátua da Liberdade? Já temos a nossa.
Se o saldo disso tudo seria bom ou ruim, não vou me meter a entrar. Deixo a opinião particular para o leitor e me restrinjo a respeitá-la. A não ser que ela não mereça meu aperto de mão, claro.


Texto: Daniel Labanca é comunicador e diretor de cena.
Foto: Gage Skidmore / flickr / CC

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