Cidadania Destaque

Vem pra rua…

A primeira vez, quando São Paulo colocou cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, foi fantástico, apesar de essa proporção não mais ter se repetido naquela cidade; bem como, em outras cidades, o número de pessoas, nem mesmo da primeira vez, tenha chegado perto de 10% da população.

Desde que os movimentos sociais então criados convidaram os cidadãos para se manifestarem comparecendo às ruas, manifestarem-se contra a corrupção, os desmandos do poder público e outras tantas coisas que se reivindicam, todos nós, sonhando com um resultado positivo, passamos a imaginar que o Brasil realmente mudaria.

Porém, o resultado das eleições de 2016, mesmo dizimando a atual vidraça, o Partido dos Trabalhadores, nos mostrou que ainda não foi dessa vez que a mudança ocorreria. Trocaram-se seis por meia dúzia. O Legislativo teve em média uma mudança que girou em torno de 30 a 35%. Em outros momentos essa mudança girava em torno de 25 a 30%, ou seja, nada significativo. Demagogos continuam a ditar as regras de subserviência aos grupos políticos e na verdade tudo continua como era. Infelizmente.
Nada mudou e não vejo qualquer luz no fim do túnel.

Os políticos corruptos são retirados da mesma sociedade em que vivem os empresários corruptos, bem como os funcionários corruptos, públicos e privados. A política é reflexo da sociedade, se lá há corrupção, é porque aqui temos corruptos.

Será que as pessoas estão fazendo alguma reflexão sobre suas condutas no que tange à maneira de agir no dia a dia? Sim, porque para sair e exigir, o cidadão deve estar cumprindo com seus mínimos deveres morais, dentro da família e dentro do trabalho. Conversando com um amigo sobre essa questão, um amigo que sempre foi ativista da boa política, ele me respondeu: “Não posso criticar algo e reclamar, se dentro de minha casa quero tirar proveito de alguma coisa” disse ele. E concluiu: “Eu precisei de um médico, possuo um plano de saúde que serve à maioria das pessoas de classe média, e a secretária dele me respondeu que a consulta que eu queria seria marcada para daqui a dois meses, mas que, se fosse particular, poderia ser atendido semana que vem. É um absurdo”.

Mas o que é absurdo? Tudo é absurdo, tanto ele querer ser atendido antes de quem será atendido pelo plano de saúde, como também o médico criar duas filas para atender as pessoas. E não para por aí, a secretária participa de tudo porque não consegue outro emprego? Não há solução.

E não se iluda aquele que pensa que a Lava Jato é um patrimônio dos brasileiros e que ao seu término tudo estará mudado. Ela não vai colocar na cadeia os principais envolvidos, por mais de 5 anos. Se isso ocorresse num país um pouco mais sério, eles morreriam na cadeia, com penas de 150 anos.

O brasileiro está satisfeito, o juiz responsável e todo o Ministério Público, com o Marcelo passando apenas uns quatro anos na cadeia. Isso não traz o efeito pedagógico que todos esperam.

Breno Linhares Lintz

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