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Nossa avenida central

A Avenida Afonso Pena foi criada quando o engenheiro da Mogiana, dr. John James Mellor, traçou a planta da “Cidade Nova”, a qual ia do cemitério que havia na Praça Clarimundo Carneiro até a Estação da Mogiana, que ficava onde é a Praça Sérgio Pacheco. Chamava-se “Estrada do Sobradinho”. A primeira casa que nela se construiu foi do farmacêutico Antônio Vieira Gonçalves. As coisas melhores que chegavam à velha cidade iam para a Cidade Nova. Em 1920, o grande prefeito, se não o melhor que a cidade já teve, João Severiano Rodrigues da Cunha, calçou-a da Praça da República (Tubal Vilela) até a Rua Goiás. Foi a primeira a ser calçada, o que permitiu o estabelecimento dos vaivéns da rapaziada no trecho calçado e o surgimento do carnaval de rua, exuberante, com muitas fantasias e desfiles de automóveis, chamados “corsos”.
A grande maioria dos assassinatos encomendados se deu nela. Assim também como os primeiros serviços de alto-falantes, precursores das emissoras de rádio assentados em cima da Brasserie. Depois que o carnaval se mudou para o interior dos clubes, a Afonso Pena continuou com o desfilar da juventude nos footings namoradores que se transferiam para o interior do Cine Uberlândia antes do início das sessões. Era pitoresco: as moças assentadas e os moços subindo e descendo pelas passarelas de entrada e saída.
Na década de 1960 tornou-se uma via intensamente iluminada à noite por anúncios, o que concedeu a Uberlândia o slogan de “Cidade dos Luminosos”. Foi nela que se começaram a instalar os arranha-céus. O primeiro foi o da Drogasil, o segundo foi o Tubal Vilela. Foi nela que se instalaram os desfiles cívicos e das escolas de samba. Impedida de estender-se pelas linhas da Mogiana, em 1970, salvou-se do sufoco, sob a administração do prefeito Renato de Freitas, com a mudança da estação e do pátio da estrada de ferro.

Texto: Antônio Pereira da Silva
Foto: Museu Virtual (http://www.museuvirtualdeuberlandia.com.br/antiga-afonso-pena/)

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