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Piolho Chato Rock Band


Foram cinco anos fazendo rádio. E tudo começou numa mesa de bar. Pensamos, idealizamos e escrevemos o Cultura Rock ali mesmo, entre uma cerveja e outra. Apresentamos o projeto, fomos aceitos e ficamos no ar durante três anos. O programa se foi e veio o On The Rocks, no qual fiz carreira solo por mais dois anos.

Durante todo esse tempo, tentamos suprir a ausência de rock n’ roll nas rádios locais. Ambos os programas foram exibidos numa emissora comercial, que precisa faturar para honrar seus compromissos. E pensando que o rock não vende há tempos, não fazia muito sentido a gente estar lá, concorda? Mas a Cultura HD, atual Cultura FM, comprou a ideia e nos cedeu uma hora em sua programação. Uma hora por semana.

Um programa semanal. Era o que tínhamos. Precisávamos tocar as mais conhecidas, as menos agressivas, as comerciais (odeio esse termo para música). Ou tocava, ou não tinha programa. Assim o fizemos. Montávamos setlists com clássicos do Led Zeppelin, AC/DC, The Who, Guns, Green Day e muitas outras. Pode-se ver que tinha muita banda legal. Mas no rock n’ roll existe uma facção extremista criada para ditar as regras musicais da humanidade. Se essa turma montasse uma banda, o nome seria Piolho Chato Rock Band. Incomodam mais que o parasita.

Não existia há um tempo programas de rock em rádios comerciais na cidade, e o que esses agradáveis ouvintes faziam? Reclamavam. Turminha incansável. Pediam insistentemente para tocar músicas Lado B do Black Sabbath, Jethro Tull, Pantera (lado B do Pantera na Cultura FM, imagina!!!) e outras bandas desconhecidas do grande público. Recadinho pra essa galerinha: vocês não vão ouvir esse som em rádios convencionais, certo? Parem de reclamar.

Ao invés de insistirem comigo, essa galera podia estar muito contente mudando de estação. “Mas Tissa, seu animal, as outras rádios não tocam rock”. Quem disse? Meus caros chatos e todas as outras pessoas que gostam da combinação rádio e rock. Sintonizem ou acessem o site da Universitária FM, aos sábados, às 18h, e curtam o Sala dos Espelhos.

Ouço sempre e até tive o prazer de participar uma vez do programa. O parceiro e muito competente radialista Álvaro Júnior comanda a nave há 27 anos. Isso mesmo, o Sala dos Espelhos está quase três décadas no ar. Sempre ao vivo.

Sem o compromisso de uma rádio comercial, a Universitária FM pode oferecer programas muito mais artísticos e ousados que as outras emissoras locais. E nesses quesitos, Mister Álvaro dá um show à parte.

O cara manda blues, rhythm and blues, british R&B, hard rock, psycho, progressivo, krautrock, southern, blues rock, fusion, stoner e heavy metal. Além da ampla variedade de estilos, rola muito Lado B e até Lado Z (prestaram atenção nessa parte, chatos?). Ele conta muita história, dados e lendas das bandas também.

Ouça o Sala dos Espelhos. É um programa divertido e feito para quem realmente gosta de ampliar seus conhecimentos sobre o rock. Feito para ninguém reclamar.

Texto: Anderson Tissa

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