Economia Foco

Sob o olhar do mundo

Amigos…
O peso do contexto nacional, que dispensa qualificações detalhadas, posto ser matéria corrente por vezes histriônica na conversa, nos mais diferentes círculos, está provocando a coletiva vontade de mudança.
A mídia das mais diferentes origens associa imagens estarrecedoras para todos os públicos. O detentor inquestionado de um império financeiro – “Império X” –, capa símbolo do The Economist há alguns anos, ora se apresenta algemado e de cabelos raspados; o deplorável desempenho econômico apresentado no G-20; o trágico e inquietante volume do gasto público; o absurdo das dezenas de milhares de homicídios anuais, associado ao horror dos presídios de nossas capitais… seguramente, basta por aqui. O cortejo de figuras da República a caminho da prisão é algo tristemente comum a cada dia.
Dentre os meus particulares inspiradores e alentos para momentos de desânimo institucional, talvez reflexo da nova profissão, cito e partilho uma reflexão do ilustre professor de Harvard, Joseph Nye Jr. (1937- ), teórico internacionalista da interdependência, popular durantes as gestões Clinton e Obama. Sua qualificação de poder no mundo, algo disponível em diferentes capacidades, em cada ponto da Sociedade Internacional recebe a acurada denominação de hard power (poder duro), soft power (o poder suave do convencimento pela difusão de boas práticas) e, ainda, um smart power, combinando ambos.
Tais ideias me conduziram a buscar em nossos “casos de sucessos”, algum suporte e inspiração para evidenciar ao mundo o nosso valor.
Assim pensando — e nesse mister creio não estar sozinho — a mesma mídia que nos motiva o desânimo traz a cada dia o andamento da Operação Lava Jato, ora desdobrada por dezenas de fases, em que policiais federais e juízes, sem apelo ideológico, desvendam os canais da corrupção que envolve atores estatais e privados.
Tal trabalho, à luz das considerações do Professor Nye, constitui um farol jurídico-cultural internacional, o nosso soft power, pois bem se transforma em objeto de admiração pelos valores das instituições envolvidas e da população em geral, em que se percebe e se mostra ao mundo o afã da Sociedade brasileira de resolver seus próprios problemas, algo completamente divorciado da visão de “corrupção endêmica”. Enfim, um modelo de mudança de paradigma político-econômico, universalmente procurado.
Assim, mostramos ao mundo a capacidade soft power de fazer o que nos cabe, dentro da lei e com irrestrito apoio popular.

Texto: Cel. José Augusto de Barros

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