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Thiago Soares, o cenário do agronegócio brasileiro e os números expressivos da sexta edição da Femec


O presidente do Sindicato Rural de Uberlândia, Thiago Soares, fala sobre os bons resultados alcançados na sexta edição da Femec (Feira do Agronegócio do Estado de Minas Gerais) e as inovações que a feira trouxe ao produtor rural desde 2012. Ele também aborda as conquistas dos cinco anos à frente do Sindicato Rural, o cenário do agronegócio brasileiro e as perspectivas futuras.

Quais foram os resultados alcançados neste ano pela Femec (Feira do Agronegócio do Estado de Minas Gerais), realizada de 22 a 25 de março?
Para nossa surpresa, tivemos um ano muito bom nessa edição da Femec, com um crescimento de 12% em relação ao ano passado em negócios gerados e prospectados, chegando à casa de R$ 219 milhões. Também tivemos recorde de público, com 52 mil pessoas passando pelo evento nos quatro dias. Isso demonstra que os produtores mineiros estão visitando, gostando e acreditando na feira.

Nesta edição da Femec, em que aspectos o evento se sobressaiu em relação aos anos anteriores?
Entre cursos e palestras tivemos 40 apresentações, com 2.920 pessoas capacitadas e treinadas gratuitamente. Com isso tivemos o maior programa de palestras das edições da feira. Também realizamos uma prova de tambor solidário, com a arrecadação das inscrições revertida para a AACD.
Houve a negociação de 17 animais das raças Nelore, Tabapuã e Simental dentro do programa Pró-Genética. No Feirão de Cavalos também tivemos negociações que estão sendo apuradas.
No contexto normal foi uma feira muito boa que ofereceu muitas opções de tecnologia ao produtor, equipamentos, lançamentos… A cada dia, a Femec se consolida como uma referência no estado.

O senhor considera que a Femec transformou a vida do produtor rural de Uberlândia e região?
A gente assumiu o Sindicato Rural em 2012 com o anseio de fazer algo que realmente mudasse a vida do produtor rural. Com essa ideia, logo nos três primeiros meses de mandato da nossa diretoria, criamos uma feira de máquinas, equipamentos e veículos porque sabíamos que conseguiríamos agregar valor ao produtor rural mineiro.
Também estávamos muito insatisfeitos com o fato de o produtor de Uberlândia e da região ter que ir para outros estados como Goiás, São Paulo e o Distrito Federal para adquirir máquinas, implementos e insumos.

A partir dessa insatisfação do produtor rural de ter que se deslocar para outras cidades para adquirir máquinas, equipamentos e insumos, o que foi feito?
Reunimos imediatamente alguns empresários da cidade com o anseio e o mesmo pensamento em ter uma feira como a nossa. Pensamos que na primeira edição, a gente teria em torno de 10 expositores, com uma expectativa de faturamento em torno de R$ 5 a R$ 6 milhões e, para nossa grata surpresa, havia um vácuo no mercado, Minas não tinha uma grande feira. Já no primeiro ano, conseguimos 51 expositores, com mais de 70 milhões de negócios gerados. Desde então, os nossos números têm sido surpreendentes.

Quais as conquistas que o senhor destaca nestes cinco anos à frente do Sindicato Rural de Uberlândia?
Primeiramente, a feira proporcionou grandes ganhos e grandes encontros. Neste ano foram 40 cursos e apresentações que trouxeram novos aprendizados e conhecimentos ao produtor rural. Criamos um ambiente de relacionamento que permite o encontro dos produtores, a troca de experiências no uso das tecnologias. Isso trouxe um ganho altíssimo para ele.
Na parte de infraestrutura, terminamos os muros em volta do parque, fizemos calçadas, e hoje o parque conta com 100% de acessibilidade. Conseguimos dar um upgrade no nosso Camaru, na nossa exposição agropecuária, com um público selecionado.
Outra conquista do Sindicato Rural foi a instalação em 2013 da AISP (Área Integrada de Segurança Pública) Rural, especializada no combate à criminalidade na zona rural.

Como o senhor avalia o cenário atual do agronegócio?
Estou preocupado com a situação que está acontecendo em relação às exportações de carne do Brasil. O produtor rural não tem nada a ver com isso, ele produz seu animal e o entrega. A gente sente que, às vezes, quem vai pagar o preço disso tudo é o próprio produtor rural. Há uma desvalorização de seus produtos, ou ao menos uma tendência de desvalorizar uma pecuária sólida, uma agricultura sólida, sem desmatamento, que o Brasil promove. Vejo isso como um alerta.
Demoramos anos para ser reconhecidos internacionalmente como um grande exportador de carne de qualidade. Considero injusto manchar a imagem do produtor rural, que acorda todos os dias, que trabalha de sol a sol. Ele não pode ser prejudicado por esses acontecimentos.

A desvalorização da carne atinge também a agricultura?
Temos um ano de uma supersafra, um período em que há uma grande produção e se tem uma pecuária fraca. A maior fonte de proteína que existe hoje em matéria de energia são o milho e a soja. De que adianta termos uma superprodução de soja e milho e não termos animais para consumir?
Com a redução dos confinamentos, há a redução de demanda de matéria-prima e energia para esses animais. Então, passa-se a ter sobra desse produto, o que consequentemente baixa o preço, afetando o agricultor.

Na sua visão, qual a perspectiva, para os próximos meses, do setor do agronegócio?
Não é justo que esses acontecimentos recentes atrapalhem o produtor rural, por uma questão de indústria. Mas, eu quero acreditar realmente que isso se resolva nos próximos 30 dias e as coisas voltem ao normal. O Brasil é um país extremamente agrícola. Há produção de milho e de soja, ambos os produtos têm que ser exportados.
Agora, precisamos escoar produtos, uma vez que o Brasil é o maior exportador de carne. E para escoar produto não precisávamos manchar a nossa imagem com uma coisa pontual. Se fosse realmente algo que causasse problema de saúde pública, a própria Polícia Federal não gastaria dois anos para realizar essa operação, ela teria feito imediatamente.
Estamos com um mercado interno fraco, e aí você atrapalha a exportação. É lei de oferta e procura. Se nós tivéssemos, como no passado, um mercado interno consolidado, então não sentiríamos uma crise internacional.

Alguns prefeitos e deputados já saíram do Sindicato Rural. O senhor tem algum projeto político para 2018, uma vez que nas últimas eleições o seu nome foi cogitado entre os candidatos a prefeito de Uberlândia?
Não. Em 2018, eu deixo a presidência do Sindicato e vou me dedicar aos negócios. Não tenho hora nenhuma pretensão de me candidatar. Entrei no sindicato muito novo, então perdi um pouco dessa fase de expansão de negócios, nos últimos seis anos, e agora pretendo alavancar essa minha vida empresarial.

Texto: Leonardo Leal

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