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A BATALHA DE 1910

Praça Matriz Uberlândia
As eleições se dariam no dia primeiro de março de 1910. De um lado, a inteligência mais admirada deste país, Ruy Barbosa; do outro, o militar Hermes da Fonseca. Na velha Uberabinha, os “cocões” estavam com o Ruy e os “coiós”, com o Hermes. O coronel Carneiro, hermista, alertava que ganharia as eleições nem que fosse a bala. O governo mandou pra cá o tenente Egídio Rosa, como delegado de polícia, para agir a favor do governo.

Os jagunços do coronel Severiano Rodrigues da Cunha (civilista) estavam acampados em sua chácara na Praça da Matriz (Cícero Macedo), prontos para enfrentar a polícia, se necessário.
O delegado propôs ao coronel Severiano que, se ele mandasse os jagunços embora, os policiais não sairiam do alojamento no dia das eleições. Mas os jagunços resolveram ficar. O que corria na cidade é que esses marginais invadiriam a Câmara e acabariam com as eleições.

As eleições, no entanto, transcorreram normalmente. Quando iam começar as apurações, que se faziam na própria Câmara, os jagunços resolveram ir embora. Iam sair escondidos pelos fundos, protegidos por touceiras de mato. Nos fundos da chácara era o alojamento da polícia. Alguns policiais viram aquele movimento suspeito e fizeram fogo. Os jagunços responderam e retornaram à chácara, onde havia muita munição.

Começado o tiroteio, os habitantes entraram em pânico. Os escrutinadores abandonaram urnas e tudo. Famílias fugiram. Sorte que não atingiram ninguém. A batalha durou três dias e três noites e a jagunçada só se entregou porque a polícia cortou-lhe a água e os mantimentos de boca escassearam.
Quando a força policial entrou no chalé, encontrou apenas cinco marimbondos morrendo de sede e de fome. Se havia mais, fugiu.

Texto: Antônio Pereira da Silva
Foto: Museu Virtual – Uberlândia de ontem e sempre
http://www.museuvirtualdeuberlandia.com.br/igreja-matriz-nossa-senhora-do-carmo/

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