Editorial Foco

O desafio dos prefeitos: a falta de planejamento urbano

O desafio dos prefeitos: a falta de planejamento urbano. Mas, não podemos cobrar essa responsabilidade só dos gestores públicos, principalmente nós, moradores de países periféricos. Ainda temos um Congresso que necessita da Suprema Corte para legislar. Onde estamos na contramão da modernização das cidades, quando no principal sistema, que é o transporte, a prioridade é do carro, e não do transporte coletivo. Nos países centrais, a preferência é por andar de metrô ou de trem. Aqui, por falta de estrutura, cada um precisa ter seu próprio veículo.

As cidades brasileiras não foram planejadas para o metrô. O que atende a toda a Paris foi criado em 1900; à nossa criticada Argentina, desde 1913. O da nossa capital, Brasília, tem percurso irrisório, caro e não atende a toda a cidade. O metrô da cidade de São Paulo está com o custo de expansão se tornando uma fortuna, porque a cidade não foi planejada para tê-lo. A história da ferrovia é mais triste, porque um país continental como o nosso deveria ter priorizado a ferrovia. Mas não aconteceu. Os lobbies das montadoras, do petróleo e governos sem planejamento não fizeram a opção para o transporte certo.

Podemos colocar algumas reflexões no plano local: se tivéssemos tido planejamento, consequentemente, uma lei de fato de uso e ocupação de solo – e que fosse cumprida -, não teria acontecido um “congestionamento planejado” no encontro das avenidas João Naves e Rondon Pacheco, onde a construção do shopping, do Carrefour, da prefeitura, da universidade e da Receita Federal gerou a necessidade de um viaduto. Quando não há planejamento real, há o caos. Vale aqui citar uma frase do principal urbanista do País, Jaime Lerner: “O viaduto é a menor distância entre dois engarrafamentos”.

As principais avenidas de Uberlândia não terminam. Onde terminam: a Getúlio Vargas? no UTC. Raulino Cotta Pacheco, Marcos de Freitas Costa, Afonso Pena? na rodovia. A principal avenida de Uberlândia, a Rondon? Não podemos mais continuar sem planejamento. Vantagem que temos hoje: um prefeito com experiência e legitimidade, que pode repensar esse modelo urbano, porque, se continuar nesta direção, não chegaremos a lugar nenhum.

 

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