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Exercício físico e Aids: um novo olhar para a qualidade de vida dos pacientes

Olá, meu amigo leitor! Você certamente já ouviu falar que exercícios fazem bem à saúde! Aqui mesmo, temos informado constantemente sobre os benefícios do exercício para a saúde e deixado claro que, se você se exercita, você se fortalece e, inclusive, adoece menos. Entretanto, será que o exercício físico poderia melhorar a saúde daqueles que estão doentes? Essa é uma pergunta pelo menos razoável, já que sempre pensamos em melhorar a saúde e nosso sistema imunológico (sistema de defesa) fazendo exercícios.

Uma doença que ataca fortemente nosso sistema imunológico é a Aids, adquirida por meio do vírus HIV. Essa doença enfraquece assustadoramente nosso sistema imunológico, o que culmina com sua falência e exposição do paciente a toda sorte de infecções e demais doenças.

Hoje o mestre e professor do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos de Araguari-MG, Prof. Hugo Ribeiro Zanetti, cujo mestrado foi desenvolvido com a prescrição de exercícios para pacientes soropositivos, estará conosco nos ajudando a entender melhor essa doença e os benefícios do exercício para essa população.

Haddad
Professor Hugo, o exercício físico melhora o sistema imunológico? Como essa doença pode enfraquecer o sistema imunológico de uma pessoa?

Professor Hugo
R: Inicialmente devemos deixar claro que existem diferenças entre os termos HIV e Aids. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um vírus que utiliza nossas células de defesa (linfócitos T CD4+) para se replicar, causando a morte dessas células e, consequentemente, enfraquecendo nosso sistema imune. Já a Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (Aids) é o último estágio da infecção pelo HIV, em que há poucas células de defesa (< 200 células/mL) e que pode levar o indivíduo à morte. A terapia antirretroviral, popularmente chamada de coquetel, tem como principal função evitar a morte das células de defesa e que o HIV se replique na corrente sanguínea. Existem inúmeras comprovações demonstrando que o exercício físico praticado de forma regular e supervisionada melhora significativamente o sistema imune, mesmo da pessoa infectada pelo HIV, desde que esteja devidamente medicamentada.

Haddad
Professor Hugo, o senhor desenvolve pesquisas com exercícios em pacientes soropositivos. Como é que isso funciona? Esse tipo de pesquisa com essa população é comum no mundo atualmente ou o senhor está fazendo vanguarda?

Professor Hugo
R: As evidências científicas em relação aos benefícios do exercício físico regular para os indivíduos soropositivos tiveram início no final da década de 90 e início dos anos 2000. Como tudo na ciência, ainda existe muito a ser explorado, principalmente em relação aos tipos e intensidades de treinamento. No entanto, todos os estudos demonstram o efeito positivo do exercício físico para esta população, principalmente em relação aos parâmetros fisiológicos (sistema cardiovascular e muscular) e bioquímicos (colesterol e glicemia).

Haddad
Em suas pesquisas, que tipo de exercício foi prescrito para essas pessoas? Que resultados foram encontrados até agora?

Professor Hugo
R: Em nosso estudo realizamos uma extensa busca de comprovações científicas antes de realizar a pesquisa. Dessa forma, vimos que não havia evidências convincentes em relação ao treinamento resistido (musculação) para pessoas soropositivas. Ao final do nosso estudo observamos melhora em: composição corporal (ganho de massa muscular e redução de massa gorda), perfil lipídico (aumento de HDL e redução de LDL e colesterol total) e, o mais importante para esta população, aumento dos linfócitos T CD4+.

Haddad
Existe alguma contraindicação para o paciente que o impeça de praticar exercícios?

Professor Hugo
R: Não. Entretanto, antes da prática do exercício físico é indicada a realização de um check-up completo.

Haddad
Professor, a prática de exercícios representa a cura? O que o senhor gostaria de deixar como mensagem para os pacientes e para todos que nos leem?

R: Infelizmente a cura para a infecção pelo HIV ainda não foi desenvolvida. No entanto, com o desenvolvimento do coquetel, as pessoas soropositivas estão vivendo cada vez mais. E como na população, de forma generalizada, o exercício físico é visto como uma alternativa não farmacológica para combater o desenvolvimento de várias doenças, a mensagem de deixo é que a falta de informação em relação ao HIV/Aids leva ao preconceito e à discriminação, algo que é inaceitável nos dias de hoje. Assim, o acolhimento a essa população deve ser o mais humanizado possível, pois, ao contrário do que muitos pensam, a transmissão da doença não ocorre por meio de um abraço ou um aperto de mão.

Texto: Eduardo Haddad

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