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Digital influencers e puxa-sacos estão entre as profissões que mais crescem na cidade

Saiu o ranking das profissões em alta no mercado uberlandense. Contrariando as origens do município, nenhuma delas está relacionada às áreas agrícola, industrial ou comercial. As que encabeçam a lista são do setor de serviços.
Vamos listar em O JORNAL de hoje as 5 principais, especialmente para você que está em dúvidas de qual área deve correr nessa cidade, já que a disputa por essas aqui anda bastante acirrada.

1 – No topo da parada está a profissão de Digital Influencer. O título está tão em alta que deixou de ter qualquer pré-requisito para quem quer ostentá-lo. Postou e alguém compartilhou? Digital influencer. Ganhou mais de meia dúzia de joinhas na foto? Digital influencer. Falou de uma empresa e ela te mandou um “mimo”? Digital Influencer top plus nível master! Já pode até virar coach, outra das profissões que falaremos a seguir.

2 – Blogueiro. Tudo bem que a cidade já exportou alguns exemplos de sucesso para o mundo. Mas não tem vaga pra tanta estrela na calçada da fama, né, gente? Vamos com calma. “O que você faz?” “Sou encanador e blogueiro”, “Auxiliar de produção e blogueiro”, “Carcereiro e blogueiro”… estima-se que 90% dos habitantes da cidade sejam alguma coisa e blogueiro. E não há problema em ser um, escrever sobre o que gosta é de fato muito bom. Mas compreenda que a vizinhança é grande e que já são mais blogueiros que leitores.

3 – Puxa-saco. Está aí uma profissão que cresce assustadoramente por aqui. Na classe política, então, está difícil pros representantes do povo entrarem na piscina sem matar uma legião afogada. Puxam saco de quem foi, quem veio, quem vai e quem nunca. Puxa-sacos de gente importante, de chefes, de quem tem mais. O importante é puxar e jurar que vai se garantir um dia.

4 – Coach. Foi-se o dia em que se respeitava todo aquele processo de preparação dos coaches. Cursos, treinamentos, estudo, tudo isso perde relevância quando o palpiteiro profissional resolve se autointitular coach. Gosto de música? Virei coach pra cantores. Dou uns pitacos legais pros meus amigos? Virei coach afetivo. Já tem coach até pra coaches.

5 – Jornalista. Com a não obrigatoriedade do diploma, todo mundo virou jornalista. “Ah, encanador e blogueiro?” E jornalista! Fez textão mas nem tem blog? Mais um jornalista.

E o mais bacana é curtir toda essa liberdade profissional e o espetáculo que a interação dessas áreas tem proporcionado em nossos círculos sociais: são coaches digital influencers, jornalistas puxa-sacos, blogueiros puxa-sacos de jornalistas e digital jornalistas puxa-sacos que fazem coaches. Vem que só falta você!

Texto: Daniel Labanca
Comunicador e diretor de cena. Por enquanto, só.

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