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“Causos” da nossa terra: trajeto de seresteiros

“A gente se reunia, ensaiava. Uns dez, lá na Vila Operária. Uberlândia era pequena. Ia do estádio Juca Ribeiro até a Prefeitura (Praça Clarimundo Carneiro) e da Chapada (Av. Rio Branco) até o Brejo (Av. Getúlio Vargas). Cada um de nós tinha uma namorada. A gente saía lá de casa, passava pelo viaduto (Vítor Melazzo) por cima da Mogiana (da Av. Cypriano Del Fávero até a Avenida Brasil) e chegava na Vila Martins. Daí, a gente descia pro Fundinho. De lá, íamos pra Chapada. Tocando e cantando. Até o amanhecer, quase. Cinco horas, a gente ‘tava voltando. Na nossa serenata tinha violões e cavacos; percussão, não, porque só tocávamos aquelas valsas seresteiras e canções chorosas.

“Tinha uns barezinhos perto do Juca Ribeiro, ali a gente fazia um sambinha. Um dia, apareceu um tal de Mário, de Araguari, bom de pandeiro. Foi aí que eu comecei a aprender a bater nele. Tinha o Valter Violão, que se profissionalizou. Tocou com Geraldo Amaral em Goiânia e em São Paulo, com o famoso Esmeraldino Silva. Tinha o Mozarinho, sete cordas, tinha o Oswaldo, irmão do Natinho, tinha o Maurício. Era um povo das cordas: violões, cavacos, bandolins, violões tenores. Bandolim era com o João Cabonete. O Ite era no violão, Zé Aço no cavaco. Eu, toda vida, gostei de cantar, mas o Natinho também cantava e bem. Tinha o Oripinho mecânico, que faz muito tempo que eu não vejo. Bom de violão e bom de gogó.

“Uma vez, lá na Vila Martins, fomos fazer uma serenata pra uma moça de quem um seresteiro gostava. Tocamos, e nenhum sinal. Tocamos de novo, nada. Mais uma vez, nada. Desistimos. Fomos saindo, vem chegando aquele povão. Era a família da moça. Nós tocamos e cantamos pra ninguém.”

Fonte: JB

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