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“Causos” da nossa terra: a braquiária decumbens

O que rolava por aqui é que a braquiária decumbens matava o gado. Ninguém plantava isso. Geraldo Migliorini, presidente da Associação Comercial, resolveu experimentar nas suas terras. Plantou um pouquinho, cercou o lugar para o gado não chegar e viu que deu bem.

Algum tempo, depois, Migliorini foi eleito presidente da Associação Rural (ainda não era Sindicato) e continuou experimentando o capim. Em Franca, São Paulo, seus amigos agrônomos diziam que era o que havia de melhor para o gado.

Um dia fez uma experiência radical. Comprou trinta quilos de sementes, arou um hectare da fazenda Santa Cruz, lá pros lados de Miraporanga, plantou e esperou. Demorou para brotar. Mas veio com força. Não perdeu semente. Ficou aquela beleza. Precavido, Migliorini separou o refugo da bezerrada, pôs no meio da braquiária e mandou cercar. Se perdesse, só perderia o lado ruim da criação.

A pastagem foi tão boa que os refugos substituíram a cabeceira que ele havia separado. A fazendeirama da redondeza, daqui e de Uberaba, ficou deslumbrada com aquele capim que viçava sem adubo, nem precisava queimar porque tinha raízes profundas e mantinha sempre um verde apetitoso nas folhas. Acabou-se o medo de a braquiária matar o gado. Um governador do Estado de Minas que visitou a fazenda chegou a manifestar sua dúvida ao ver o gado fartando-se do capim: “Mas esse capim não é perigoso? Não mata o gado?”. Ao que o Zica (filho do Migliorini) confirmou: “Mata, sim, mas é danado de gordo, no frigorífico”. Daí a pouco, o Brasil Central estava tomado pela braquiária. Dizia Max Nordau Alvim, engenheiro agrícola: “Vai aumentar tanto a população bovina do Triângulo que ‘vai’ caber, na pior das hipóteses, cinco rezes por alqueire”.

Texto: Antônio Pereira da Silva

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