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França elege Emmanuel Macron, jovem, centrista e sem partido

O centrista Emmanuel Macron, 39, foi eleito presidente da França no domingo (7).
Representando o movimento independente Em Frente!, ele governará pelos próximos cinco anos a sétima maior economia do mundo e um dos cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU.
Macron tomará posse em até uma semana (é preciso aguardar o resultado oficial, esperado para o dia 10, mas o mandato de François Holande expira dia 14). Ele recebeu 65,8% dos votos contra 34,2% da ultranacionalista de direita Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN).
Macron celebrou sua vitória em uma cerimônia marcada por simbolismos. Ele chegou à esplanada do Museu do Louvre, diante da icônica pirâmide de vidro, ao som da Ode à Alegria de Beethoven –hino oficial da União Europeia, da qual é defensor.
Diante de uma multidão, disse que irá trabalhar para diminuir as profundas divisões no país. “Não cederemos nada ao medo, nada à divisão. Farei tudo para não haver mais razões para votar nos extremos”, disse.
O discurso foi recebido pelos militantes agitando a bandeira vermelha, branca e azul. Uma menina, dependurada num poste, gritava ininterruptamente: “Vive la France, Vive la France!”.
A eleição de Macron marca transformações históricas. Esta foi a primeira vez em que os dois principais partidos franceses –socialistas e republicanos, de centro direita– não estavam no segundo turno e a primeira vitória de um candidato sem a estrutura de uma sigla tradicional.
O movimento Em Frente!, de Macron, foi fundado há um ano nos moldes de uma start-up, assentado em uma rede de 260 mil militantes, parte deles inexperientes.
Nunca antes eleito a cargo público, ele será o presidente mais jovem da França (Luís Napoleão, sobrinho de Napoleão Bonaparte, tinha 40 ao subir ao poder em 1848).
A uma população desencantada com o cabo de guerra entre direita e esquerda, Macron se vendeu como alguém além dessa divisão: ora acena com o afrouxamento das leis trabalhistas ora com medidas de proteção social.
Novo e antigo
Embora se apresente como contrário ao establishment, o presidente eleito se moldou no interior da elite política e econômica francesa.
Ex-filiado ao Partido Socialista, foi ministro da Economia do impopular François Hollande, abandonando o barco só em agosto de 2016.
Ele será acompanhado ao Palácio do Eliseu por Brigitte Trogneux. O casamento é alvo de interesse já há algum tempo: Brigitte é 24 anos mais velha do que o marido, a quem conheceu quando ela lecionava teatro em sua escola e ele tinha 15 anos.
O impacto imediato do resultado deste domingo será o reforço do projeto de integração europeu. Le Pen defendia erguer a barreiras protecionistas, retirar a França do bloco econômico e possivelmente retomar o franco.
Aliviada a pressão, o euro marcou à noite um recorde de seis meses contra o dólar .
Macron também defendeu, na campanha, uma sociedade mais multicultural, enquanto Le Pen, diante da imigração crescente e da recente onda de atentados no país (o mais letal deles deixou 130 mortos em Paris e imediações em novembro de 2015), quer fechar as fronteiras.
Será determinante, agora, quanto apoio virá dos tradicionais Partido Socialista e Republicanos, que ele derrotou no primeiro turno.
As duas siglas se uniram em torno da candidatura dele contra Le Pen, mas não especificamente por concordar com sua plataforma. O mesmo vale para os eleitores.
A adesão à campanha de Macron foi vista como maneira de impedir Le Pen de chegar até a Presidência.
A falta de apoio fica evidente no número de eleitores que não votaram. Segundo o instituto Ipsos, a abstenção no segundo turno é de 25,3%, a mais alta desde 1969. O total de votos brancos e nulos chegou a 4,2 milhões (12%).
Não é a primeira vez que o establishment francês usa a estratégia. Em 2002, quando o pai de Le Pen chegou ao segundo turno, formou-se também uma frente para freá-lo, e o conservador Jacques Chirac venceu com 82%.
O avanço do apoio à candidata da FN mostra que o partido acerta na estratégia de se normalizar para o eleitor, afastando membros radicais.

Fonte: DIOGO BERCITO E RODRIGO VIZEU, ENVIADOS ESPECIAIS
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS)
Foto: Lorie Shaull / Flickr / CC

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