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“Causos” da nossa terra: a Casa da Cultura

Foto: Marlucio Ferreira

Logo após a posse do prefeito Zaire Rezende, em 1983, visitei, com Antônio Couto, o secretário Nelson Bonilha, de Educação e Cultura, um pastor evangélico. Disse-me o secretário que o prefeito desdobraria sua pasta, criando a Secretaria de Cultura, e que estava procurando um lugar apropriado para abrigá-la. Veio-me à cabeça a antiga sede da Superintendência da Fazenda, na Praça Coronel Carneiro.

“Professor – disse-lhe – por que vocês não pedem ao Estado o prédio onde funcionou a Superintendência Regional da Fazenda? Vocês estão com a faca e o queijo na mão. O prefeito é do PMDB, o governador é do PMDB e vocês ainda têm o deputado Luiz Alberto Rodrigues. Aquele prédio carrega uma considerável carga de história. Foi construído por Américo Zardo, um dos primeiros italianos radicados em Uberabinha. A planta foi copiada de uma mansão paulistana. O seu primeiro proprietário, Eduardo Marquez, ruralista, político, foi prefeito da cidade. Depois o prédio abrigou um dos primeiros hospitais, do dr. Laerte Vieira Gonçalves e, em seguida, do dr. Caio Bardi. Foi Delegacia Regional de Polícia, com os porões contando muita coisa das perseguições políticas na época da ditadura. Com a construção do prédio da Caixa Econômica, para onde se transferiu a Superintendência, transformou-se em depósito de mercadorias apreendidas pelo Fisco. Deteriorava. Sais e óleos corroíam as paredes, o chão. Muita sujeira, muitos insetos e ratos.”

O professor Bonilha entusiasmou-se e foi atrás. O Departamento de Pesquisas da Faculdade de Estudos Sociais da UFU elaborou um projeto de reforma e restauração do imóvel. Estas e outras circunstâncias estimularam o trabalho do professor. Autorizado pelo prefeito, ele foi a Belo Horizonte e esteve pessoalmente com o governador, introduzido por um irmão de fé evangélica que trabalhava no gabinete do Tancredo. Foi o governador quem fez a doação, autorizando-a por telefone ao Secretário da Fazenda, Rogério Mitraud. Quem intermediou e ganhou o prédio para a prefeitura, foi o secretário Nelson Bonilha. Qualquer outra história não é verdadeira.

Texto: Antônio Pereira da Silva

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