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Morre a voz do Soundgarden e Audioslave

Foto: Live! / Benaroya Hall

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Ontem à noite, a imprensa brasileira lançou uma bomba sobre mais um caso de corrupção no país. Se já não bastasse toda a excitação pelo escândalo político, veio à tona uma outra péssima notícia. Dessa vez o descontentamento não foi Brasília, mas sim na música, mais especificamente no rock n’ roll. A Associated Press anunciava a morte de Chris Cornell.

Quem conhece sabe muito bem quem foi esse cara, e quem não sabe de quem estamos falando faço uma recapitulação.

Nascia em 1984, a banda que talvez foi a precursora do Grunge: o Soundgarden. Digo pioneira porque os caras pegaram uma Seattle pré-Grunge. Naquele ano, ainda não se falava sobre o movimento que imortalizou o Nirvana. O Soundgarden começou ao lado de outro grupo chamado Green River, formada por membros que posteriormente formariam o Mudhoney e o Pearl Jam. A proposta dessas duas bandas era se opor ao heavy metal da época. Foi então que essa turma criou o seu próprio som, hoje mundialmente conhecido como Grunge ou Seattle Sound.

No Soundgarden, o único membro nascido em Seattle era Chris Cornell. Esse sujeito era um vocalista de primeira linha, tinha uma voz impressionante (faixa vocal de quase quatro oitavas) e ainda tocava bateria e cantava no começo de toda a brincadeira.

Seu primeiro instrumento foi o piano e antes mesmo de formar o Soundgarden, montou uma banda com o baixista Hiro Yamamoto, chamada The Shemps. Foi exatamente aí que a coisa ficou séria, a dupla se uniu ao guitarrista Kim Thayil e o trio criou uma das mais importantes bandas do grunge, o Soundgarden.

Após a boa repercussão dos álbuns Ultraomega OK e Louder Than Love, Cornell, cria um projeto paralelo, se junta com membros do Mother Love Bone e os recrutados Mike McCready e Eddie Vedder (sim, o cara do Pearl Jam) e formam o Temple Of The Dog. Muito bom por sinal!

O reconhecimento mundial veio em 1991 com o álbum Badmotorfinger. E o disco de mais notoriedade do Soundgarden vem na sequência, em 1994, o Superunknown. Três anos depois, a banda anuncia o encerramento das atividades frustrando muita gente. Apesar do fim do Soundgarden, Cornell segue sua trajetória e lança o álbum solo Euphoria Morning antes de montar um supergrupo Audioslave, primeira banda americana a tocar em Cuba. O Audioslave se foi, o Soundgarden voltou e lançou um novo álbum de inéditas em 16 anos.

Cornell lançou quatro álbuns solo, recebeu uma indicação ao prêmio Globo de Ouro por sua canção “The Keeper”, co-escreveu e executou a música-tema para o filme James Bond Casino Royale e é considerado um dos melhores vocalistas de todos os tempos.

Chris Cornell morreu nesta quarta-feira, 17, aos 52 anos, em Detroit e a causa aponta para suicídio. O vocalista deixa a mulher Vicky Karayiannis-Cornell, uma filha de 12 anos e um filho de 11 anos, uma outra filha de 16 anos, fruto do casamento com Susan Silver, encerrado em 2004, e milhares de fãs.

Uma pena.

Selecionei dez músicas que mais gosto na voz de Chris Cornel. E para você, quais são as suas preferidas?

Texto: Anderson Tissa

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