Cidade Expresso Foco

Pedofilia: resultado de traumas na infância?

Foto: Pixabay

A pedofilia é considerada pela Organização Mundial de Saúde como doença classificada de transtorno de preferência sexual, assim como voyeurismo, sadismo, fetichismo e outros. Ou seja, na essência, não é tratada como um crime.

É possível que alguns se assustem com essa informação, já que um pedófilo é muitas vezes comparado a um estuprador ou mesmo um assassino. Alguns podem até falar que seja um crime hediondo. Mas o que vemos em muitos casos é a violência sexual contra a criança, que é diferente do pedófilo.

Além de ser uma prática também considerada imoral e julgada pela sociedade como algo covarde e desumano. Isso ao considerarmos que um adulto abusa de uma criança indefesa para praticar atos sexuais.

Como pensa um pedófilo?

É possível que muitos nem queiram pensar nisso e até mesmo julgar que este seja mais um texto daqueles que defendem os direitos humanos olhando somente para o agressor, e não para a vítima.

Não é esse o caso. Pode continuar a sua leitura com tranquilidade.

O que estamos questionando aqui é o que leva a pessoa a cometer um crime desse tipo, quais são as suas motivações e como isso surgiu na vida dela. Sim, porque um pedófilo também teve uma criação, um pai e uma mãe e, muitas vezes, convive conosco.

Em muitos casos é possível que a pessoa seja alguém inclusive respeitada pela sociedade. São comuns alguns casos em que ouvimos frases do tipo “Nunca esperava isso deles”, “Sempre foi um pai ou mãe presente na vida dos filhos”.
Aqui podemos ir ainda mais fundo nessa questão, olhando além das características mais óbvias como a atração por crianças, que pode ser medida pela observação de fotos e filmes pornográficos. Nesse caso, quando identificado, pode-se até procurar ajuda para seja trabalhado o comportamento.

E como uma doença é um transtorno, a pessoa pode iniciar esse comportamento a partir de algo que ocorreu com ela em algum momento na vida, ou mesmo enquanto era criança.

O famoso psicanalista Sigmund Freud formulou estudos importantes sobre o tema associando a doença a teorias da Castração, Complexo de Édipo e Sexualidade Infantil. Ou seja, pode-se falar que, por exemplo, a repressão da fase de conhecimento de si mesmo, sobre os seus órgãos sexuais, pode ser um fator de risco para a doença.

Enfim, estamos falando de comportamentos e como devemos entender e aprender com as emoções que os geram. É preciso ir além da atenção “automática”, que muitos pais têm dispensado a seus filhos, e buscar realmente viver a experiência deles para que possamos descobrir e ganhar a confiança por toda a vida.

Em alguns casos o pedófilo pode inclusive ter sido sofrido traumas na infância, que fizeram com que ele tivesse medo de ser relacionar com adultos, sentindo-se inseguro e despreparado para manter uma relação sexual saudável.
É um tema complexo que deve ser tratado com muito cuidado, já que geralmente somente a vítima recebe o tratamento psicológico após sofrer a agressão – enquanto o agressor está doente e precisa de tratamento, correndo o risco de, não tratado, voltar a repetir a agressão.

Leonardo Veloso
Coach, KidCoach, Advanced PNL
Autor do Blog: De Pai Pra Pais 

Notícias relacionadas