Destaque Editorial Expresso

Protestar, sim, destruir a coisa pública, não

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Historicamente todos reconhecem que não há evolução sem mudanças, sempre alguém tem que ceder e, por vezes, perder. A questão que levantamos, quando assistimos a pessoas destruindo o patrimônio público, é se isso é correto. Considerando que ninguém tem o direito de destruir o que é de todos, a resposta é “Não”. Segunda questão: os que hoje se posicionam contra a reforma representam quanto da população? Há um entendimento de que as leis trabalhistas estão ultrapassadas, que temos mais sindicatos e conflitos trabalhistas do que necessitamos, que a Previdência está para falir. É necessário refletir com grandeza sobre que país queremos.

E ninguém duvida que predominam nas estruturas sindicais, sejam patronais ou do trabalhador, pelegos e parasitas, pessoas que estão na direção há anos cuidando mais do interesse particular que dos seus associados. O mesmo acontece nas estruturas partidárias, nas quais a sucessão é hereditária. É triste e vergonhoso. Alguns fatos viram caso de polícia. Acontecendo até no esporte, dirigentes de muitas modalidades saíram presos.

Mas essas farras nas estruturas estão acabando, acreditamos que os dirigentes que não mostrarem competência e zelo com os recursos da coisa pública e das entidades não terão vida longa. Os perfis de várias instituições já mudaram. É o caso de Ministério Público, Poder Judiciário e Polícia Federal. O Brasil já está passando a ser exemplo, a equipe de Curitiba é citada em todos os países como exemplo de idealismo e trabalho.

É visível no rosto dos brasileiros vários sentimentos, de vergonha, indignação, mas reconhecem que há um processo de mudança em andamento. Após essa faxina, teremos um novo País, com grandes perdas no curto prazo, mas com possibilidade de um futuro, que precisamos e podemos ter. Desfrutamos uma riqueza natural que poucos países possuem, porém, com a pior estrutura de liderança que pode haver – mas está sendo avaliada, julgada, e podemos substituí-la. Não vai acontecer no curto prazo, entretanto, cultivamos a certeza de que vai acontecer. Um dos requisitos é uma revisão individual, mudança de nossos hábitos, nossas atitudes. Procurar fazer sempre a coisa certa e não aceitar que os outros façam algo errado, principalmente os que nos representam. Sem radicalismos, mas com firmeza.

Temos uma oportunidade que os nossos antepassados não tiveram, até porque não houve tanta necessidade: a de discutir os valores que devemos cultivar, a fim de viver numa sociedade mais justa e solidária. Se for necessário, teremos que ir para a rua, depor liderança com processo ou pelo voto, mas não depredando a coisa pública.

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