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Gaeco desarticula quadrilha que saqueava drogas, armas e cigarros contrabandeados

Foto: Leonardo Leal

O MPE (Ministério Público Estadual) por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado denunciou 19 pessoas, sendo 10 policiais civis pelos crimes de organização criminosa, roubo agravado pelo emprego de arma, associação para o tráfico, tráfico ilícito de entorpecentes, restrição de liberdade e falsidade ideológica.

A denúncia faz parte da operação 100 anos de perdão deflagrada na quinta-feira (25), com o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e 38 mandados de prisões preventivas. Uma vez que contra os investigados há mais de um mandado. Na operação realizada nas cidades de Uberlândia, Patrocínio, Uberaba e Araguari, foram presos quatro pessoas, sendo três policiais. Outros seis envolvidos haviam sido presos anteriormente por outros crimes. O MPE vai investigar o vazamento de informações que tipifica crime de obstrução à justiça.

De acordo com o promotor Daniel Marotta do Gaeco, a ação da organização criminosa era dividida em dois núcleos, um no Paraná chefiado por um policial civil que identificava cargas que interessava a quadrilha e instalava rastreadores via satélite nos caminhões que transportava as cargas.

O trajeto era acompanhado pelos criminosos e quando os veículos entravam em solo mineiro, o núcleo de Minas entrava em ação, os policiais civis envolvidos faziam a abordagem dos veículos, a prisão dos motoristas e apreensão das mercadorias. “A partir desse momento, a organização criminosa, ou se apoderava daqueles produtos ilícitos, drogas, armas, cigarros contrabandeados, ou fazia a revenda desses produtos para o próprio proprietário. Se a venda fosse exitosa os motoristas eram autorizados a seguir viagem. Do contrário, eles se apoderavam das mercadorias, liberavam os motoristas sem sequer identificá-los e elaboravam boletim de ocorrências falsos para dar aparência de ilegalidade a ação praticada”.

O promotor do Gaeco Adriano Bozola disse que ocorreram duas apreensões de produtos distintos em setembro de 2015. Na primeira, em torno de 4 toneladas de maconha, foi feito o boletim de ocorrência com a suposta legalidade da operação policial apreendendo cerca de 350 kg de maconha, ou seja 10% da apreensão, o resto foi desviado. Na segunda, ocorreu a apreensão de cerca de 1 milhão de maços de cigarro e houve o desvio de cerca de 400 mil maços de cigarros. “Nas duas operações feitas pela quadrilha, houve desvio de parte dela que foi repassada para terceiros”.
Caso em Investigação – O promotor Adriano Bozola disse que houve um terceiro caso, que está em investigação da apreensão de 2 milhões de maços de cigarro, acontecido em março de 2016. “Devido à intervenção dos policiais rodoviários federais essa carga foi totalmente apreendida, Em 2016, foi feito auto de prisão em flagrante delito na Polícia Federal, onde policiais civis que estão sendo processados na operação ocorrida em 2015, participaram desse auto”.

Segundo o promotor, esse terceiro caso aconteceu na BR-050, dentro da área de concessão da MGO Rodovias. “A abordagem com carro descaracterizado ocorreu perto do pedágio, houve a filmagem pela concessionária MGO e tudo indicava que a abordagem seria um assalto”. A partir da comunicação de assalto pela concessionária, policiais rodoviários federais compareceram ao local.

Bozola disse que, mesmo assim, esse caminhão foi liberado e continuou sendo escoltado pelos policiais civis que haviam feito a abordagem perto do pedágio. “Ocorreu uma segunda abordagem com apoio mais intenso de policiais rodoviários federais perto do pontilhão de acesso à uma universidade particular em Uberlândia.” Segundo o MPE, essa carreta foi levada num primeiro momento até a Delegacia Regional de Polícia e a delegada à época determinou que ela fosse encaminhada para a Polícia Federal.

Apresentação dos policiais foragidos – O promotor Adriano Bozola disse também que na quinta-feira (25), foi informado no MPE (Ministério Público Estadual) por meio do advogado da maioria dos envolvidos e também pela Corregedoria de Polícia de Belo Horizonte que os policias foragidos iriam se apresentar na próxima terça-feira (30) na capital. “O fato relacionado a essa questão é que se não se apresentarem no prazo de 30 dias, já ocorre a perda de cargos. Os mandados continuam em aberto, eles estão na condição de foragidos”, afirmou.

Vazamento de informações – De acordo com o promotor Daniel Marotta, a deflagração da operação previa a prisão preventiva de 18 pessoas, como seis já estavam recolhidas, o objetivo era prender 12 que estavam em liberdade, desse total foram presas quatro e oito permanecem foragidas.

“O Ministério Público Estadual não tem nenhuma dúvida de que ocorreu o vazamento de informações. Houve fuga em quatro municípios diferentes, indícios de fuga durante a madrugada anterior a deflagração da operação e informação de que todos os alvos receberam a notícia de deflagração da operação. Esse vazamento será apurado, isso é crime de obstrução à Justiça, previsto na Lei de Combate ao Crime Organizado”, afirmou Marotta.

Ele disse ainda que todas as pessoas que tiverem contato com esses autos, com as ordens judiciais vão ser ouvidas e as diligências serão realizadas no sentido de se apurar a fonte do vazamento.

Texto: Leonardo Leal

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