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Grupo antitabagismo auxilia moradores do bairro Santa Luzia a largar o cigarro

Foto: Cleiton Borges/SecomPMU

“Quem está sem fumar cigarro nenhum essa semana?”, pergunta que a enfermeira e coordenadora da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do Santa Luzia, Mariana Machado, faz ao começar mais uma reunião do grupo Antitabagismo. Os encontros acontecem semanalmente para auxiliar os moradores assistidos pela unidade do bairro que têm interesse em largar o cigarro e não conseguem abandoná-lo por conta própria.

A iniciativa surgiu como alerta às doenças e outras complicações (que podem ser evitadas) relacionadas ao tabagismo e vai de encontro com a mesma proposta que norteia as ações realizadas em vários países no 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco. A data de combate ao vício foi instituída em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mariana explica que a ideia é fruto da observação feita por profissionais da UBSF durante as consultas. “Enquanto realizávamos atendimentos diversos, acabamos percebendo um padrão e uma grande quantidade de fumantes que manifestavam o desejo de largar o cigarro. Então, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde, resolvemos criar um grupo para ajudar esses pacientes. Sabemos o quanto é difícil, mas que em conjunto, com muito incentivo e bons exemplos, conseguimos resultados positivos”, conta.

De acordo com a enfermeira, o primeiro grupo começou com 12 participantes. Destes, 10 pararam de fumar e conseguiram manter os novos hábitos por meio de encontros mensais com a equipe da unidade. “É um trabalho contínuo. O grupo tem duração de um ano, depois vamos acompanhando por meio de terapia individual uma vez por mês”, expõe Mariana.

O grupo deste ano começou em abril e tem 16 participantes. Destes, 10 também conseguiram largar o cigarro. Durante os encontros, são discutidos os benefícios da vida sem o tabaco, como controlar a ansiedade, a importância de hábitos saudáveis e outras ações.

Resultados expressivos

André Amaral de Omena foi um dos primeiros participantes do projeto. Para ele, as reuniões foram essenciais para que ele largasse o vício que durou mais de 20 anos. “Tentei por várias vezes parar de fumar, mas nunca consegui. Com o trabalho em grupo, abandonei os cigarros e estou há um ano sem fumar. E isso só aconteceu porque tive profissionais dando suporte e orientado, sempre”, conta o corretor imobiliário.

Só que o reflexo desse trabalho não é visto apenas junto aos pacientes da comunidade. Diego Oliveira é agente de saúde e acompanhou a ação da equipe da UBSF do Santa Luzia. Fumante há 10 anos, ele acabou se interessando e quis participar do grupo em 2017. “Estou há 24 dias sem colocar nenhum cigarro na boca. Não é fácil. Fico ansioso, tenho descontado de alguma forma na alimentação, mas sei que vou conseguir. O pessoal me ajuda muito, pois vejo os outros exemplos e sei que, assim como eles pararam de fumar, eu também vou conseguir. Isso me fortalece”, aponta o agente.

Parar de fumar é o começo de uma série de benefícios, conforme explica a enfermeira Mariana. “Eles relataram um bem-estar dentro de casa, melhora no relacionamento com a família, e também até diminuição considerável dos gastos. Alguns participantes fumavam cinco maços por dia e passaram a economizar para investir em outras coisas, como viagens com cônjuges ou filhos”, finaliza.

Dia Mundial sem Tabaco

Na próxima quarta-feira (31), Dia Mundial sem Tabaco é quando acontece mais uma reunião do grupo da UBSF Santa Luzia. Os participantes preparam um bate-papo para fazer com que a data seja lembrada de um jeito especial. O tema da campanha deste ano será ‘Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento’.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, se nada for feito em relação ao cigarro, estão previstas mais de 8 milhões de mortes por ano a partir de 2030. Além dos danos à saúde pública, a produção e o consumo de produtos do tabaco geram impactos socioambientais pouco conhecidos pela população, como o uso de lenha para aquecer as estufas que secam as folhas de tabaco que serão utilizadas na fabricação de cigarros, o que leva ao desmatamento e ao desequilíbrio da biodiversidade em tempos de severas mudanças climáticas.

Texto: Secom PMU

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