Expresso Foco Nacional

De maio, das flores e mães, ao “saidão” de junho

Antônio Testa é cientista político. Foto: Divulgação

Maio, mês das flores e das mães, na capital da República envergonhada pelas travessuras criminosas cometidas por dirigentes, termina com grandes traumas, decepções, dúvidas profundas e desprezo por valores republicanos e democráticos.

A mamãe pátria foi aviltada ao extremo e seu patrimônio, construído à custa de séculos de escravidão, de exploração do trabalhador, do pequeno empresário, do servidor público e de outros contribuintes forçados, foi dilapidado cruel e friamente por representantes de egoístas e nocivos interesses.

A cínica estratégia adotada por governos criminosos de utilizar boa parte dos R$ 500 bilhões alocados no BNDES para financiar, quase que graciosamente, os chamados campeões nacionais, entre eles, três grandes derrotados – a JBS, a OI e o Grupo X – revelou, na prática, que os verdadeiros perdedores foram os contribuintes brasileiros, os milhões de pequenos empresários, que não tiveram e nem têm acesso às facilidades que os criminosos tiveram. Para esses campeões de atividades criminosas, o crime compensa. E como compensa…

Mais uma vez, o Estado brasileiro debitará o enorme prejuízo como obrigação para o cidadão assumir.

Por outro lado, a Justiça brasileira padece de lucidez, em várias esferas de seu funcionamento. O brasileiro não consegue entender por que uma ladra de alta estirpe pode cumprir pena em seu castelo na Cidade Maravilhosa, sob alegação de ter filhos menores, enquanto centenas de outras pobres detentas não têm o mesmo privilégio, mesmo tendo cometido delitos muito menores, até insignificantes. Tampouco, consegue engolir o argumento de uma autoridade judicial que decide manter atrás das grades uma cidadã que furtou comida para os filhos, alegando não ver necessidade de liberá-la para cuidar deles.

Mas a grande festa da democracia pós-petista, ainda petista, foi a invasão e a depredação do patrimônio público na última semana. Vieram à capital milhares de manifestantes e, entre eles, centenas de vândalos e Black Blocks pagos para cumprir uma esquizofrênica missão: destruir o que eles construíram, ou seja , tentar derrubar um governo que eles mesmos colocaram no poder. Faz parte do grave transtorno de personalidade petista. O tiro saiu pela culatra. Mas teremos que arcar com o prejuízo, uma vez que o governo do Distrito Federal foi inoperante e o Exército entrou em cena só para fazer figuração.

O circo de horrores foi bem montado: os vândalos puderam quebrar tudo que encontraram pela frente e voltar tranquilamente para casa, com passagem, diária, alimentação, boné e camiseta. O governo do DF e o Federal deveriam criar uma “Bolsa Depredação”, para substituir o Bolsa Família e outras esmolas assistencialistas, porque atualmente é mais fácil destruir do que construir o que foi feito com muito esforço.

Sociedade pasma

O presidente da República não conseguiu explicar por que recebeu o chefe de grande quadrilha e dono de um “partido” com quase dois mil filiados/assalariados, fora da agenda e no palácio.

Isto intriga o incauto: por que um político veterano, ex-secretário de Segurança, de Justiça, inúmeras vezes deputado, quatro vezes presidente da Câmara dos Deputados e duas vezes vice-presidente da República comete um ato falho dessa dimensão?

Alguma coisa não está clara na República dos cunha, dos vaccari, dos duque, dos cabral e de outras celebridades “filantrópicas e dotadas de admirável espírito cívico e reclusas em presídios alimentando a esperança de uma boa delação, para conseguir uma tornozeleira eletrônica de última geração, mas com autorização para tomar um drink no EUA com os Batista”.

Presidente, é preciso explicar direitinho, não esquece, tem gente atenta a isso.

Foi assim o mês de maio na capital. Com a chegada de junho e das festas juninas, espera-se que as quadrilhas dancem de verdade e que os rojões não decepem mãos de imbecis úteis, mas que explodam no céu de alegria e felicidade, saudando uma nova era de civismo, honradez e lucidez neste País que já foi visto como o país do futuro, há séculos. Mas o que se tem visto é a tentativa de fazer ressurgir o passado com uma força enorme. Inclusive a própria Justiça liberou detentos para o “saídão” das festas juninas. Essa será, sem dúvida, uma inovação.

Tomara que o brasileiro acorde e celebre as festas juninas com sensatez cívica e lucidez democrática. Não custa nada sonhar, né…?

Texto: Antonio Testa
Cientista político

Notícias relacionadas