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Cerrado mineiro é tema de estudo reconhecido por alta produtividade

Foto: Divulgação

Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG), o Cerrado se destaca como o sistema ecológico predominante em Minas Gerais, ocupando, originalmente, 57% do território, com destaque para a região centro-oeste do estado. Nesse contexto, o bioma se tornou objeto de estudo de pesquisadores na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), cujos campi estão localizados em áreas do ecossistema.

O laboratório no primeiro andar do Bloco 2D, no Campus Umuarama da UFU, é um dos locais em que a equipe coordenada pelo professor Paulo Eugênio Alves Macedo de Oliveira, do Instituto de Biologia(Inbio/UFU), realiza pesquisas sobre a biologia reprodutiva de plantas do Cerrado. O docente conta que a vontade de entender como as plantas da região se reproduzem vem desde seu doutorado e atualmente o estudo já se divide em três linhas de análise.

O primeiro ramo da pesquisa é, propriamente, o estudo dos aspectos associados à reprodução da flora do Cerrado, com foco nos polinizadores. Oliveira explica que, por muito tempo, acreditava-se que plantas do Cerrado não dependiam de outros seres vivos para se reproduzir. Entretanto, as evidências obtidas durante o trabalho de campo mostram o contrário.

“As plantas do Cerrado dependem de polinizadores. Encontramos [nas pesquisas] que essas interações envolvem muitas plantas e animais, são bem estruturadas e, em certo sentido, resilientes, já que elas resistem bem às pressões da degradação”, esclarece o professor.

Com o desenvolvimento dessa linha, os pesquisadores acabaram descobrindo certas plantas que não dependem dos polinizadores para conseguir se reproduzir, pois possuem mecanismos autônomos de produção de sementes e algumas, inclusive, produzem frutos sem pólen. Oliveira afirma que essas espécies “têm um potencial invasivo muito grande, são plantas daninhas”.

Esse segundo segmento das pesquisas, assim como os outros, ainda está em andamento, mas o professor ressalta que, com a destruição do bioma, a tendência é que essas plantas invasoras comecem a ocupar os espaços ecológicos das espécies que estão sendo arrasadas. Por isso, “compreender como essas plantas estão se reproduzindo pode ser importante para entender como vai ser o Cerrado no futuro”, diz.

A última ramificação do estudo está ligada à relação entre a flora do Cerrado e sistemas agrícolas – também chamados de agroecossistemas – da região. Analisando cultivos de culturas como maracujá e tomate, os pesquisadores perceberam que essas plantas dependem de polinizadores para se reproduzir. “Vimos que as mesmas abelhas que polinizam as plantas do Cerrado também são importantes para a polinização do maracujá e até para a manutenção dos plantios”, conta Oliveira.

Saindo do cenário acadêmico, as pesquisas realizadas pela equipe, e seus resultados, trazem aspectos práticos para a vida na região do Cerrado. “Entender como as plantas se reproduzem, como elas se distribuem é muito importante até mesmo para subsidiar a conservação, dizer como manter essas plantas lá. Esse conhecimento sobre os polinizadores e sobre as relações entre polinizadores e plantas, pode ser importante para ajudar a manter o bioma. Não é só a conservação dos ambientes naturais, mas também a interação entre esses ambientes e os agroecossistemas da região”, destaca o coordenador dos estudos.

Professor na UFU desde 1992 e classificado como pesquisador 1A pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desde 2015, Oliveira ressalta a relevância da participação dos alunos nas pesquisas realizadas na universidade, segundo ele esse envolvimento acaba potencializando a produção e o uso de dados, os alunos terminam multiplicando essas atividades. Uma forma de dar continuidade à descobertas como as já feitas na pesquisa que coordena.

Texto: Ascom UFU

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