Destaque Editorial Expresso

O que está acontecendo com nossas lideranças?

Foto: Pixabay

Acredito que esta pergunta tem sido feita por parte significativa dos brasileiros: onde estão nossos líderes, neste momento de trevas em que se encontra o País?

É mais fácil olhar e avaliar o nosso entorno, porque recentemente tivemos, em nossa cidade, lideranças que eram referências nacionais. Lideranças de fácil acesso, de bom convívio, amigos de todos, que tinham o prazer de compartilhar os seus sonhos com as pessoas.

Uberlândia teve presença singular no contexto nacional na Constituinte de 1988. Com a metade do eleitorado de hoje, participou com cinco constituintes: quatro deputados federais – Virgílio Galassi, Homero Santos, Chico Humberto, Luiz Alberto Rodrigues – e um senador, Ronan Tito, cada um com uma biografia que dava orgulho não apenas a Uberlândia, mas ao estado de Minas Gerais.

Tivemos um dos melhores governadores que o estado já teve, Rondon Pacheco, que foi também deputado, ministro, chefe da Casa Civil. Ronan Tito de Almeida foi senador, deputado e candidato ao governo de Minas. Políticos ilustres que ocuparam cargos pelo mérito, e não por fisiologismo ou por falta de opção. Quando chegavam à cidade, havia fila na porta de suas casas, pessoas de todas as classes sociais eram atendidas de forma simples e carinhosa. Era visível que faziam por paixão, não havia lugar para rancor, o objetivo era servir a sua cidade, o seu estado. Modelos para os jovens que desejam entrar na vida pública.

Muitos destes começaram como vereadores, elegendo-se prestando serviços, não por marketing político e muito menos por propaganda oportunista e populista. Pergunto: onde erramos para não evoluir na área política, em quantidade e qualidade? Nessa fase não se falava em corrupção, eram visíveis o idealismo e os trabalhos que esses homens públicos realizavam. Falava-se, sim, em emancipar o Triângulo, em política de Estado, em duplicar rodovias.

Predominava uma visão de Estado, e não pessoal. Muitos hoje fazem política distribuído panfletos e fomentando ódio, mas não com serviços e obras. Péssimo exemplo para os nossos jovens.

É possível que estejamos nos esquecendo de citar alguns nomes, porque é difícil lembrar todos, mas o nosso propósito é lembrar valores para questionar onde erramos. Parece-nos, por diversos motivos, que não melhoramos.

Onde estão os representantes de Uberlândia no cenário nacional? “Alguns já estão sendo citados”. Mas a questão é: onde estão as práticas, os discursos de discórdia destes pelo que está acontecendo? É hora de ouvirmos a voz das lideranças de Uberlândia, de Minas, aqui e em Brasília. Venham às associações de classes, renunciem às mordomias, desfile de partidos corruptos. Façam alguma coisa, como acontecia no passado! É hora de mostrar que nos representam de fato. Não é hora de cartinha e panfletos, é de agir. Minas tem história. Temos direito de exigir.

Editorial

Notícias relacionadas