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Hipotireoidismo: a doença que deixa o metabolismo lento

Dra. Rafaela Degaspari é endocrinologista e metabologista

Uma doença muito comum, mais prevalente nas mulheres, principalmente acima 40 anos; porém, pode acometer qualquer idade e gênero. Como expliquei no artigo anterior, nesta doença ocorre uma diminuição na produção do hormônio tireoidiano. Assim, vai faltar “combustível” para o organismo, o que o deixa lentificado, e o metabolismo é desacelerado.

Os sintomas do hipotireoidismo são: depressão, diminuição da frequência cardíaca, intestino ressecado (constipado), menstruação irregular, memória ruim, cansaço excessivo, sonolência, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, aumento do colesterol no sangue. Todos os sintomas podem ser mais leves ou mais graves, dependendo da quantidade da falta de hormônio.

A causa mais comum do hipotireoidismo é a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune, na qual a pessoa produz os anticorpos contra a sua própria tireoide. No início há a inflamação desta glândula e o volume da tireoide pode aumentar (o que é denominado bócio) e, com a progressão, começa-se a destruí-la. É comum acometer vários familiares, devido ao fato de ser uma herança genética.

O hipotireoidismo também pode ocorrer após cirurgia de retirada parcial da tireoide devido a nódulo ou bócio compressivo e após radiodoterapia. Este é um procedimento que “queima” uma parte da tireoide, isso provoca a redução de seu tamanho e da produção de hormônio tireoidiano. A radiodoterapia é realizada em pacientes com nódulo tóxico, ou hipertireoidismo que não se controla com medicação oral. Essas doenças serão explicadas melhor no próximo artigo.

O diagnóstico é simples e realizado através da coleta de exames de sangue: TSH, que estará elevado acima do valor de referência; e T4 livre e T3 total, que estarão baixos. A fim de confirmar se é Tireoidite de Hashimoto, solicitam-se os autoanticorpos: anti-TPO (antiperoxidase), anti-TG (antitireoglobulina) e estes viram positivos e, quanto maior o valor, significa que há mais anticorpos e que a destruição da tireoide pode ser mais rápida.

Em gestantes, a reposição do hormônio tireoidiano é iniciada mais precocemente, caso o TSH esteja acima de 2,5 mUI/L. Assim como foi explicado no artigo anterior, a mãe passa o seu hormônio no 1° trimestre para o feto se desenvolver, para isso a mãe precisa estar com uma quantidade suficiente de hormônio tireoidiano, já que a tireoide do feto começa a ser formada somente no 2° trimestre. Dessa forma, todas as gestantes devem checar a tireoide assim que diagnosticarem a gravidez.

O tratamento do hipotireoidismo é simples, porém, na maioria das pessoas é para sempre, exceto em algumas gestantes, que podem cessar o uso do hormônio tireoidiano após o parto. O medicamento é Levotiroxina sintética, a qual tem várias marcas: Eutirox, Puran T4, Levoid, Synthroid. Como esse hormônio é difícil de ser absorvido, ele deve ser ingerido apenas com água, em jejum e é necessário aguardar 30 minutos para ingestão de alimentos ou outra medicação.

Caso o paciente não tome a medicação um dia, no dia seguinte ele pode tomar 2 comprimidos juntos, visto que o hormônio tireoidiano tem duração de 7 dias no organismo e o importante é a dose total ingerida na semana.
A dose da Levotiroxina tem correlação direta com o peso do paciente. Caso apresente ganho de peso, há necessidade de aumentar a dose do hormônio; já, se perder peso, a dose precisa ser diminuída.

O controle do hipotireoidismo deve ser realizado a cada 6 meses ou se o paciente estiver com sintomas de hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Para o paciente portador de Tireoidite de Hashimoto é importante fazer a reavaliação da tireoide, já que, com o tempo, essa glândula vai sendo mais destruída e há uma necessidade de se aumentar a dose da Levotiroxina. No dia em que for realizar-se o exame do TSH e T4L, o ideal é tomar a Levotiroxina apenas após a coleta do exame, para não interferir no resultado.

Estar com o organismo e o metabolismo equilibrados é essencial para uma vida plena. Caso esteja com algum sintoma de hipotireoidismo, procure um endocrinologista.

Texto: Dra. Rafaela Degaspari
Endocrinologia e Metabologia
CRM – MG 72080

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