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Não devemos comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente!

Sebastião Barbosa e Silva Junior, advogado. Foto: Divulgação

A etimologia da palavra ‘comemorar’ é de origem latina – commemorare – e significa ‘trazer à memória’.
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado ontem (5). Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na Resolução XXVII de 15 de dezembro de 1972, com a qual foi aberta a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano.

No Brasil, todo ano tem um movimento para lembrar, nesta data, o Meio Ambiente, que faz “aniversário” com muito anúncio e convites, mas poucos convidados comparecem.

A Amazônia e a Mata Atlântica, relevantes biomas de equilíbrio do ecossistema brasileiro e até mundial, foram literalmente esquecidas e entregues à destruição. Daí, comemorar é lembrar algo que jamais deveria ter saído de nossa memória humana: já que somos parte integrante do Meio Ambiente, formamos – todos nós, pessoas e natureza – uma única criação.

Nosso território engloba cerca de 60% da Bacia Amazônica, o bioma cobre 4,2 milhões de quilômetros quadrados (49% do território nacional) e se distribui por nove estados (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão). Ele é muitas vezes confundido com a chamada Amazônia Legal – uma região administrativa de 5,2 milhões de quilômetros quadrados definida em leis de 1953 e 1966 e que, além do bioma amazônico, inclui cerrados e o Pantanal.

Entre agosto de 2015 e julho de 2016 (calendário oficial para medir o desmatamento), a Amazônia perdeu 7.989 quilômetros quadrados (km²) de floresta, a maior taxa desde 2008, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Na Mata Atlântica a situação é crítica: restam apenas 16 milhões dos 131 milhões de hectares originais. Só entre os anos de 1985 e 2015, foram desmatados quase 2 milhões de hectares, de acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica.
Por isso, não devemos comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente! Devemos, sim, reconhecer todos os dias que SOMOS o Meio Ambiente! Essa consciência de completude, unidade e sincronicidade está sendo defendida não somente pelos ambientalistas, mas por renomados cientistas de todo o mundo: que SOMOS ligados pela força criacionista de Deus.

A Igreja Católica trata desse assunto com muita atenção, exatamente pela ótica da Campanha da Fraternidade de 2017, que traz o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

O uso de energia solar como fonte de energia para veículos, habitações, indústrias, agronegócios e demais atividades é uma mudança que podemos adotar em defesa da vida e como guardiões da criação.

Segundo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Instituto de Física), a Terra recebe do Sol algo como a energia de 10 bilhões de Itaipus. A ínfima parcela de luz e calor que efetivamente alcança o planeta é suficiente para dar vida e movimento a oceanos, ventos, florestas, a cada um e a todos os organismos. Essa energia substitui todas as fontes atualmente usadas e que provocam alta devastação da natureza.

Outra colaboração é a recuperação das áreas desmatadas, principalmente as que protegem os rios, as nascentes e a água em geral, com programas (sérios) de parceria entre Estado, ONGs, empresas e a Sociedade.

O uso de madeira de reflorestamento autorizado e a implantação de usinas de reciclagem do lixo completam algumas atitudes de reconhecimento de que SOMOS o Meio Ambiente.

Em vez de comemorar, vamos cuidar de nós mesmos!

Texto: Sebastião Barbosa e Silva Junior
Advogado Empresarial

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