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“Causos” da nossa terra: motorista não quer traçado

Foto: Divulgação

A conclusão do asfaltamento do trecho da BR-050, de Uberaba a Uberlândia, que faz parte do caminho rodoviário que vai de Santos a Brasília através da conexão com outras bê-erres, ficou na dependência do entendimento entre grupos uberlandenses e uberabenses interessados em traçados diferentes. Os discutidos Traçados I e II. Os partidários desses Traçados dividiam-se lá e cá. Aqui, a Associação Comercial e o Sindicato Rural queriam um, a Sociedade de Engenheiros e a Associação dos Motoristas queriam outro. Motoristas e engenheiros queriam o traçado de cem quilômetros, mais curto. Lá e aqui, houve agressivas reuniões de entidades. Não soluções.

Chegou um momento em que de São Paulo a Brasília se ia no asfalto, menos daqui a Uberaba. Estava na terra. A tal ponto chegaram os desentendimentos que o DNER, a quem competia a construção, já decidira por um traçado, enquanto o DER-MG, a quem fora delegada a construção, optara pelo outro. Em 1960, Rondon Pacheco conseguiu quatrocentos milhões para o trecho. Aplicar onde? Não havia traçado, nem projeto!

Uma comissão uberlandense foi a Brasília falar com o ministro dos Transportes. Combinaram que não se falaria em Traçado. Queriam a estrada.

Recebidos, o ministro comentou a briga dos Traçados. O prefeito Ladeira, chefe da comitiva, começou a explicar a briga, quando o motorista João Cândido Pereira pediu um aparte:

– Nós não viemos aqui falar de traçados, nem a briga é de Uberlândia com Uberaba. Uberaba tem sua briga pra lá, nós temos a nossa briga pra cá. Os motoristas não têm fazenda, nem posto de gasolina. Eles não querem traçado, eles querem estrada, só isso.

À noite, na “Hora do Brasil”, saiu a prioridade para o trecho. Mas os trabalhos foram lentos e a inauguração só se deu em 1965. Saiu o Traçado II. O mais curto.

Texto: Antônio Pereira da Silva
Fontes: Orvenor Fernandes, João Cândido Pereira, jornais da época, atas da ACIUB.

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