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Preservação ambiental em Uberlândia tem avanços e retrocessos

Recuperação de nascentes e retomadas de áreas de preservação são positivas, por outro lado aplicação da legislação e parcelamento do solo ainda precisam melhorar

Foto: Leonardo Leal

 

Em razão do dia internacional do meio ambiente comemorado em 5 de junho, a prefeitura de Uberlândia realizou ações de conscientização, colocando em discussão questões como os resíduos sólidos da construção civil, o tratamento de efluentes, os ecopontos, o problema das queimadas, entre outros. Apesar do debate, o momento é propício a uma avaliação do que se tem feito nessa área de preservação ambiental.

O assessor técnico em Meio Ambiente da prefeitura Anderson Alves de Paula destacou o trabalho de recuperação das nascentes dos córregos e retomadas de área de preservação. Já o diretor do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Cláudio di Mauro ressaltou a importância do respeito à legislação e aplicação adequada do parcelamento do solo. Para o diretor da ONG Angá, Gustavo Mallacco, têm havido retrocessos como a fusão de secretarias e o uso ocupação caótica das áreas urbanas próximo aos córregos.

“Nós pegamos uma situação extremamente delicada no que tange aos rios e córregos urbanos aqui da cidade. Temos dezenas e dezenas de situações de assoreamento, de invasões às margens dos nossos córregos, nas preservações de área permanente, que vem causando problemas para as nossas nascentes de longa data, porém começamos um processo de desapropriação e retomada de áreas. Foi feito uma agora ao lado ali da Cargill, tem outros por acontecer” afirmou Anderson de Paula.

O assessor técnico ressaltou o trabalho de limpeza dos córregos para um aproveitamento melhor da água e o desenvolvimento de um plano diretor de arborização para a cidade. De Paula destacou também que a secretaria de Meio Ambiente retomou o desenvolvimento dos projetos de parques lineares para todos os córregos da cidade. “No segundo semestre será feito um trabalho no parque Linear do Luizote para deixá-lo de forma semelhante ao do parque linear rio Uberabinha, como também um trabalho de recuperação das margens do rio Uberabinha”, disse.

Situação Ambiental Complexa

Para o professor Cláudio di Mauro, a situação ambiental é complexa em Uberlândia. “Nós não conseguimos ter uma política mais clara para preservação dos recursos hídricos, por exemplo, o abastecimento da cidade. Tem o projeto Buritis, mas ele ainda é limitado. Precisaria de uma performance mais avançada”, afirmou.

Ele observou também que a questão do parcelamento do solo nas áreas urbanas, afetando áreas de preservação permanente, entrando em veredas é algo muito complicado. “Na verdade, a área de parcelamento de solo precisaria aplicar mais adequadamente a legislação. No nosso entendimento não é aplicada, tanto é que toda área, o Ministério Público ou o juiz manda perícias para nós fazermos aqui na universidade, de parcelamentos de loteamento, construção de conjuntos” ressaltou.

Como contraponto Di Mauro, destacou o aumento do nível de consciência com o tema ambiental por parte das escolas. “Talvez a gente tenha no futuro a formação de uma nova mentalidade”, disse.

Falta de prioridade

Segundo o diretor da ONG Angá, Gustavo Mallacco, o Meio Ambiente não é prioridade da atual gestão. “O que temos acompanhado são retrocessos e mais retrocessos. O principal deles esse ano, já apontado foi a fusão da secretaria de Meio Ambiente com a de Serviços Urbanos. Isso fica claro um apontamento que você deixa de ter uma prioridade sobre agenda ambiental”, afirmou.

Ele disse também que o prefeito Odelmo falou em uma reportagem no início do ano que, “Meio Ambiente para ele, era fazer capina, podar árvore, etc. Isso demonstra um total desconhecimento por parte dele, em uma agenda tão rigorosa em que na realidade a secretaria deveria ser uma vitrine”, observou. Para o ambientalista a secretaria de Meio Ambiente exerce uma função cartorial. “A única função que ela vai ter e continuar tendo, como a gente viu nos últimos anos também é de licenciamento ambiental”, afirmou.

Mallacco lembrou que no governo anterior, o Executivo apresentou projeto ao Legislativo, que não chegou a ser votado, de um plano diretor estabelecendo o zoneamento para o setor sul da cidade, áreas prioritárias para conservação e a adoção de mecanismos para permutas de vegetação nativa com condomínios, evitando desmatamentos de áreas verdes. “Um governo que também não foi solícito na parte ambiental, que não teve prioridade. Mas, ao menos nessa parte de planejamento urbano tivemos uma discussão muito boa”, disse.

Texto: Leonardo Leal

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