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Semana do Meio Ambiente: só não é cômico, porque é trágico

Foto: Pixabay

Estamos na Semana do Meio Ambiente. Só não é engraçado, porque é trágico. Será possível falar que vamos ter a “Semana do Almoço”, em pleno século XXI? É um absurdo continuar havendo a Semana do Meio Ambiente. Como seria absurdo ter uma “Semana do Dormir” e de outras atividades que realizamos todos os dias, por questão de sobrevivência.

Temos que entender que não somos donos do meio ambiente, somos parte dele, essa é a verdade. Mas são poucos que encaram essa relação, a tal ponto que se mantém a Semana do Meio Ambiente, quando normalmente os que menos o respeitam tiram um período para fazer penitência. Podemos, com todo respeito, compará-la ao ato de confissão, no qual o indivíduo comete pecados a semana toda e vai à igreja pedir perdão no domingo.

Depredam e poluem o ano todo e depois vão plantar uma árvore ou limpar cem metros da margem de um rio; o Poder Público aumenta a limpeza e os políticos fazem apologia à natureza. Mas no dia a dia a destruição da natureza acontece, por más práticas, algumas até planejadas, basta olhar o entorno. Respeitar o meio ambiente é como usar cinto de segurança: obrigatório.

É normal ver o cidadão jogar o seu lixo no terreno vazio mais próximo, atravessar a rua para extrair uma planta de uma praça, não entendendo que a praça é dele. Tomar uma cerveja ou refrigerante dirigindo e jogar a latinha na via pública. Pichar as paredes de prédios ou residências, sem autorização do Poder Público ou do proprietário. Depredar bancos, luminárias de praças e dos parques lineares, atos de vandalismo sem explicação nenhuma. Lugares que são destinados a todos, cujo gasto para recuperação faz falta para a saúde, a educação e outros benefícios. Faz falta principalmente para a família de quem os destrói. E normalmente não são crianças e pessoas sem estudo: temos, entre os que destroem o meio ambiente, pessoas de todos os segmentos.

E não podemos nos esquecer de outras poluições, normalmente não lembradas nesta semana e que incomodam muito a maioria da população, para as quais as autoridades responsáveis nem sempre chegam a um acordo sobre como punir: os carros de som que circulam perturbando escolas, hospitais e, nas madrugadas, os que precisam dormir para trabalhar. Os pseudocidadãos que fazem festas ignorando a vizinhança.

Temos que começar a repensar os nossos atos. Não se pode ter mais a Semana do Meio Ambiente, devemos que assumir que a relação com o meio ambiente faz parte do cotidiano, como as atividades essenciais à vida. Investir em educação e leis severas para o infrator. Cada cidadão deve ser responsável pelo meio ambiente, começando pelo seu quintal.

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