Destaque Rock

Vinícius de Moraes estava certo: A beleza é fundamental.

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Depois do último texto, penso somente em duas coisas: ou essa coluna é muito pouco visitada ou nenhuma mulher bonita se dispôs a me convidar para um rolê. Prefiro acreditar na primeira alternativa, mesmo sabendo que para acertar essa questão o correto seria assinalar ambas as opções.

Já que nenhuma beldade se engraçou comigo, bem que alguma podia se interessar pelo rock n’ roll. Insinuo isso, porque no último final de semana, estava a elucubrar com amigos novas teorias sobre o gênero tema dessa coluna. E foi numa mesa de bar, entre uma long neck e outra, que surgiu a mais nova e revolucionária tese sobre o estilo musical mais nervoso do planeta.

Na década de 80, diversas bandas de glam rock, o charmoso rock farofa, dominavam as paradas. Suas músicas tinham forte apelo comercial e sempre eram selecionadas para serem trilha sonora de propagandas e filmes. E apesar das vestimentas dos integrantes, como suspensórios usados sem camisa, jaquetas coloridas, lenços espalhafatosos e calças colantes, alinhados a muita maquiagem e uma vasta cabeleira, muitos ganharam o título de sex symbol.

Nossa ideia de mesa de bar é a seguinte: enquanto os rostos bonitos estavam a frente das bandas daquela época, o rock estava muito bem comercialmente, obrigado. E de acordo que as novas gerações iam surgindo, com vocalistas desprovidos de beleza, o gênero foi perdendo espaço gradativamente.

Essa hipótese faz todo sentido quando se pensa em estética comercial. Estamos certos, ou você escalaria Billy Corgan para fazer o papel de galã no lugar do Bon Jovi? Bret Michaels, outro bonitão e vocalista do Poison, parece concordar com a gente. Visando vendas e aparecimento em programas de TV, os componentes de sua banda precisavam ser bem afeiçoados. Por esse motivo, reza a lenda, Slash foi negado pelo grupo. Sim, antes de ser guitarrista do Guns, Slash não foi aprovado no Poison porque era feio.

O argumento mais forte dessa teoria repleta de formosura é que naquela época o rock estava o tempo todo em evidencia. Sedutores do palco como Dave Coverdale, Axl Rose, Sebastian Bach, Tommy Lee e Kurt Cobain (esse último não era da moda farofa), estampavam as capas das revistas, estrelavam comerciais e filmes, faziam as meninas suspirarem, vendiam milhões de cópias e eram absolutos nas rádios.

Depois surgiram Ed Kowalczyk (Live), Dexter Holland (The Offspring), Billie Joe Armstrong (Green Day) e a parada começou a desandar. Mas na vida tudo pode piorar, na mesma época apareceu um tal de Marilyn Manson… aí ficou bizarro.

Ao perceber a queda do poder de sedução do rock, a pop music agiu rápido e lançou Backstreet Boys, NSync, Westlife, Five… e ainda, colocou no mercado mulheres bonitas. Vieram as Spice Girls, Christina Aguilera e Britney Spears (a loira sonho de consumo de Kleber Bambam).

E assim, o rock, com toda sua falta de beleza, foi se tornando o patinho feio dos gêneros musicais.

Selecionei 10 músicas do rock farofa para você curtir. É só dar play.

Texto: Anderson Tissa

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