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Uma cidade para todos. Mas, não se consegue dar força ao fraco enfraquecendo o forte

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Uma cidade para todos. Mas, “não se consegue dar força ao fraco enfraquecendo o forte. Não se pode ajudar os seres humanos continuamente, fazendo por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios”. De um discurso de Abraham Lincoln, no Congresso americano em 1860. Apesar de ter sido pronunciada há 157 anos, vivemos um momento que nos leva a resgatar essa fala para refletir sobre as cidades brasileiras. Acreditamos que a solução não está em valorizar ideais extremistas. Uma coisa é certa: o problema da desigualdade social é crescente, não se pode ficar adiando e muito menos ignorando. Temos que focar as causas, e não apenas os efeitos. Uberlândia, apesar de estar entre as melhores cidades brasileiras, tem de forma visível e crescente a desigualdade social.

As cidades brasileiras, principalmente as médias e grandes, hoje apresentam uma periferia carente de quase tudo. São vários os motivos que têm levado a essa situação. Podemos registrar três, para fundamentar nossos comentários: o crescimento desordenado das nossas cidades; o incentivo equivocado ao sistema de transporte, priorizando o individual e muito pouco o coletivo; o desvio de função do Estado, privilegiando os representantes em detrimento dos representados – ficou clara essa situação nos escândalos recentes.

Acreditamos ser bastante oportuno os segmentos organizados e o Poder Público começarem a ter projetos transversais, fazendo um diagnóstico sem ênfase ideológica, considerando as palavras de Lincoln, traçando metas de médio e longo prazos, envolvendo as entidades que fomentam o empreendedorismo, as que cuidam do social, da educação, da saúde e da segurança. A cultura dos países que conseguiram de fato incluir as pessoas priorizou as oportunidades, e não o paternalismo. E com bons exemplos.

O primeiro passo é adotar uma visão diferente sobre a cidade. Parte significativa das pessoas desconhece a sua própria cidade. É necessário conhecer os espaços ocupados. Uberlândia hoje tem um uso misto no seu extremo, de população pobre e condomínios de alto padrão, uma relação que tem de ser tratada de forma justa, buscando soluções de inclusão. O planejamento urbano não pode esquecer o tripé básico – trabalho, moradia e lazer – na hora de traçar políticas públicas. O cidadão deve assumir a responsabilidade urbana como um todo, não apenas cuidando do seu “quintal”. Buscar soluções para as desigualdades sociais será sucesso se for uma missão da coletividade.

Editorial

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