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Método Canguru promove acolhimento integral de mães e recém-nascidos

Foto: Divulgação/SecomPMU

Alguns dos motivos que aumentam o tempo de internação dos recém-nascidos nos hospitais é a necessidade de ganho de peso, de acompanhamento médico ou de cuidados especiais. E é justamente nesse tempo que o bebê passa em uma UTI neonatal que o vínculo entre mãe e filho precisa ser fortalecido. Para aproximar os pais dos pequenos que acabaram de chegar ao mundo e estimular ainda mais rapidamente o desenvolvimento da criança nos primeiros dias de vida, o Hospital e Maternidade Municipal Dr. Oldemo Leão Carneiro passou a desenvolver o Método Canguru.

O que é

O Método Canguru é um modelo de assistência aos bebês prematuros e à família, que consiste em manter o contato pele a pele entre o recém-nascido de baixo peso e os pais ou outros familiares, favorecendo ainda o estímulo ao aleitamento materno.

Em funcionamento desde o início do mês de junho, a unidade ‘Leito Canguru’ da maternidade do Hospital Municipal já comemora os primeiros resultados obtidos. “É um local para recém-nascidos que precisam de cuidados, mas ainda não estão prontos para ir para casa. Ele acolhe mãe e filho, estimula o contato entre eles, reforça os laços de carinho e cuidado dos pais para com a criança, além de ser extremamente benéfico para o desenvolvimento dos bebês”, explicou Maria Aparecida Gonçalves Gomes, assessora técnica da Secretaria Municipal de Saúde.

Geruza Felício de Oliveira, de 37 anos, estreou a unidade do ‘Leito Canguru’. A filha Rafaela veio ao mundo quando a comerciante estava para completar o oitavo mês de gestação. Com pouco peso e ainda frágil, a bebê teve que ficar na UTI neonatal do hospital. Como a pequena Rafaela não conseguia ganhar peso, foi aí que a equipe médica decidiu inseri-la no projeto.

“Minha filha saiu da UTI com 1,8 kg e hoje está com 2,1 kg. Foi um desenvolvimento acelerado, que aconteceu em quatro dias, resultado que antes não estava sendo obtido com tanta rapidez. Além disso, ela desenvolveu a sucção e está mais atenta para as coisas que acontecem no entorno. É um trabalho fantástico, que envolve toda a equipe do hospital. Todos estão empenhados e nos ajudando muito nesse momento tão importante nas nossas vidas”, apontou Geiza.

Benefícios para os pais e bebês prematuros

– Favorece o vínculo mãe- filho;
– Diminui o tempo de separação mãe-filho;
– Estimula o aleitamento materno;
– Favorece um melhor desenvolvimento neurocomportamental e psico-afetivo do recém-nascido de baixo peso;
– Favorece a estimulação sensorial adequada do recém-nascido;

– Reduz o estresse e as dores do recém-nascido de baixo peso;
– Proporciona um melhor relacionamento da família com a equipe de saúde;
– Possibilita maior competência e confiança dos pais no cuidado com o filho.

Estímulo ao parto normal e visita à maternidade

Foto: Divulgação/SecomPMU

Paralelo ao ‘Leito Canguru’, que veio aprimorar a segurança e acolhimento dos pacientes atendidos no Hospital e Maternidade Municipal Dr.Odelmo Leão Carneiro, a Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia desenvolve – desde 2011 – com as gestantes que fazem o pré-natal na rede pública, um trabalho de amparo, informação e estímulo ao parto normal, que é o método mais benéfico para a mãe e o bebê.

Só que o Projeto de Estímulo ao Parto Normal (Pepan) não se resume apenas a reuniões e orientações. Aliado ao trabalho de grupo feito junto às gestantes que fazem acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF), existe ainda uma visita à maternidade. “Elas ficam com dúvidas. Querem saber como é o local, onde vão ficar, se o acompanhante poderá ficar ao lado delas, entre outras coisas”, contou a assessora técnica Maria Aparecida.

A visita das futuras mamães acontece todas as terças-feiras, às 9h. Acompanhadas das agentes comunitárias e de uma enfermeira, as gestantes conhecem todas as etapas ao darem entrada no hospital no dia de dar à luz. Passam pelas salas de cirurgia e de pré-parto (que é onde vão ficar até o nascimento do bebê) e até pelo setor de UTI Neonatal. “Esse é um momento muito importante para as grávidas. Mostrando o local, a estrutura e dando informações, as deixamos mais preparadas e tranquilas para o parto normal. Isso desmitifica e ameniza a ansiedade para o grande dia. Quanto mais conhecimento e informação, mais seguras elas vão estar”, comentou Diulia Souza, enfermeira do hospital.

Grávida de 18 semanas, a cabeleireira Mirian Cristina Amaral foi uma das gestantes que participaram da visita guiada. Para ela, conhecer a estrutura do hospital deu mais segurança na escolha pelo parto normal. “Antes queria fazer cesárea, só que aos poucos, nas conversas dos grupos no postinho, fui descobrindo os benefícios do parto normal. Minha visão agora é diferente: a confiança e a decisão em fazer parto normal aumentaram”, comentou.

A Júlia Mamede também gostou da primeira visita que fez ao hospital. Grávida de 34 semanas, ela disse que tirou muitas dúvidas que tinha em relação ao grande dia. “Como é o meu primeiro filho, tenho muitos questionamentos. Depois de passar por esse projeto, achei tudo muito esclarecedor. Ver onde vou ficar, como é o atendimento e acompanhamento da equipe me deixou mais confiante”, disse.

De acordo com levantamentos da Secretaria de Saúde, o projeto ajudou a reduzir os números de cesáreas registrados na maternidade. “No início das atividades no hospital, nossa taxa de cesárea era de 85%. Com esse trabalho, conseguimos mudar os indicadores e hoje 60% dos partos na rede municipal são normais”, relatou.

Maternidade do Hospital Municipal

Inaugurada em maio de 2011, a maternidade do Hospital Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro já registra mais de 17 mil nascimentos. A porta de entrada à Maternidade do Hospital Municipal é pela Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Martins, referência em saúde da mulher.

Depois de ser atendida na UAI Martins e encaminhada para o Hospital Municipal, a gestante é avaliada pela equipe de obstetrícia, recebe orientação da equipe de enfermagem e é encaminhada ao leito de pré-parto. São realizados exames de sangue e avaliação das condições do feto.

Após o parto, a mãe é levada para um leito de alojamento conjunto com o bebê. A mãe e o bebê têm geralmente alta em 48 horascom consulta na rede agendada para ambos, além do teste do pezinho e da orelhinha.

A maternidade do Hospital Municipal contabiliza 31 leitos, além de outros 10 de UTI neonatal e 13 de cuidados intermediários.

Texto: Secom PMU

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