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Crise para além de 2018

Benito Salomão é bacharel e mestre em Economia. Foto: Divulgação

Ainda sob o agonizante e interminável governo Temer, já se desenha o xadrez eleitoral para sua sucessão, seja em 2019 ou até mesmo antes, já que não se sabe se este é um governo que chegará até o final. Na economia, temos em 2017 outro ano complicado e, em 2018, um resultado medíocre em termos de crescimento da riqueza e de geração de empregos. Na política, pairam inúmeras incertezas.

Em sondagem recente, o instituto Datafolha mostrou indefinição para a eleição que se aproxima. O ex-presidente Lula (PT) segue na liderança, com 30%, mesmo percentual que apresentava no levantamento anterior, em abril deste ano.

Isso revela que o petista está provavelmente próximo ao seu teto e ao teto histórico de seu partido em eleições e, ainda, que não obteve ganhos políticos oriundos do desgaste político causado ao presidente Michel Temer (PMDB) e ao senador Aécio Neves (PSDB), fruto das gravações em que ambos são flagrados cometendo crimes. Ademais, com um nível de conhecimento de 99%, Lula é rejeitado por 46% dos entrevistados na pesquisa. Esses fatores mostram que a liderança flagra um favoritismo apenas aparente do ex-presidente Lula, que dificilmente será eleito.

A segunda posição da pesquisa é ocupada por um empate entre o midiático candidato de ultradireita Jair Bolsonaro (PSC), com 16%, e a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 15%. Na análise da rejeição Marina, que tem alto nível de conhecimento, leva pequena vantagem, ela é rejeitada por 25%, já Bolsonaro, conhecido por apenas 63% dos eleitores, é rejeitado por 30%, o que pode inviabilizar sua candidatura a alçar voos mais ambiciosos.

A única certeza que se tem em relação à eleição de 2018, na ausência de fatos novos, é de que a candidatura tucana caminha para abraçar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Com Aécio fora do páreo, Alckmin se torna o candidato natural e, embora não assuma, deve formar uma coligação com PSDB, DEM, PP, PMDB, PR, PTB, PSD e talvez o PSB, com quem estreitou laços recentemente. O governador, que tinha 5% no último levantamento, aparece agora com 8% e, embora ainda tenha uma rejeição elevada, 34% dos eleitores, é improvável que uma candidatura com essa dimensão fique fora do segundo turno.

Alguém será eleito em 2018. O mercado está em compasso de espera para saber se o Brasil será viável como destino para investimentos ou se nossa democracia nos levará a outra aventura, a exemplo do ocorrido em 1989. Nomes novos e viáveis estão descartados para o processo que se aproxima e um número preocupa: a taxa de rejeição dos quatro candidatos capazes de vencer as eleições do ano que vem é maior do que a sua intenção de votos. Ademais, resultados econômicos positivos servem para fortalecer a credibilidade do establishment político; há toda uma literatura envolvendo a Teoria do Ciclo Político (TCP) que discute esses efeitos. As previsões para o comportamento da economia em 2018 estão se deteriorando rapidamente e já é consenso que chegaremos à eleição com um desempenho medíocre.

A soma de elevada taxa de rejeição das candidaturas favoritas com um desempenho econômico ruim em termos de emprego e renda, somado ainda com uma eleição polarizada e pautada por temas éticos e acusações, tudo pode radicalizar ainda mais os eleitores, como em 2014. Se isso acontecer, a crise política ora vista vai permanecer no início do próximo governo. Há de se avaliar ainda a composição do Congresso que será eleito, se haverá alto índice de renovação e se este terá bom relacionamento com o Executivo, além de um ímpeto reformista maior do que o atual. Isso só saberemos na urna. Esse é o pior dos cenários, mas nada garante que não seja possível ou provável, é preciso aguardar pra ver.

Texto: Benito Salomão
Bacharel e Mestre em economia 

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