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Banco do Brasil disponibiliza R$ 4 bilhões para a Safra 2017/18 no Triângulo Mineiro

Foto: Leonardo Leal

O Banco do Brasil anunciou na terça-feira (11), que vai destinar R$ 103 bilhões de recursos para o Plano Safra 2017/2018. Desse total, R$ 11 bilhões serão destinados para Minas Gerais e R$ 4 bilhões para a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Em Uberlândia, o lançamento do plano ocorreu no Sindicato Rural de Uberlândia.

O superintendente regional do Banco do Brasil, José Carlos Vasconcelos, ressaltou que a disponibilização dos recursos é resultado de grandes negociações entre os Ministérios da Agricultura, Planejamento e os bancos envolvidos. “Preservar essa musculatura dos recursos que ficaram muito próximos dos valores disponibilizados no ano anterior foi uma grande vitória. Além disso, com a redução da Selic, as taxas de juros passaram a ter um patamar menor em um ponto percentual na média, mas para as operações de investimentos houve uma redução de dois pontos percentuais”, afirmou o superintendente.

Segundo Vasconcelos, as operações de custeio tiveram uma disponibilização de R$ 550 milhões, que antes era de R$ 300 milhões para efeito de seguro agrícola. “No conjunto da obra, você tem uma área maior segurada, disponibilidade de recursos, uma taxa menor e em algumas linhas de crédito, o prazo maior, como por exemplo, o Pronaf mais alimentos que passa de 10 para 15 anos”.

Em relação ao momento econômico atual, Vasconcelos disse que quando o mercado recolhe, o banco do Brasil tende a avançar para gerar um equilíbrio na economia. “Nesse momento de crise, a gente não pode desamparar aquele que é a grande marca do banco, que são os clientes do agronegócio. Temos um alinhamento muito grande com a agricultura no país, porque são eles que movimentam o PIB (Produto Interno Bruto), geram emprego e renda”.

O presidente do Sindicato Rural de Uberlândia, Thiago Soares, destacou que o lançamento do Plano Safra é um momento aguardado. “É o momento em que o banco lança a política econômica da próxima safra. O produtor precisa disso para se capitalizar, investir e fazer uma boa safra”, disse. Ele lembrou que se as taxas de juro fossem menores, esse fator poderia alavancar mais os negócios. Uma vez que o produtor poderia adquirir maquinários e investir na produção.

Crédito rural

A maior parte dos recursos, R$ 91,5 bilhões, será para o crédito rural aos produtores e cooperativas. Deste montante, R$ 72,1 bilhões serão direcionados para operações de custeio e comercialização e R$ 19,4 bilhões para créditos de investimento agropecuário. Já os R$ 11,5 bilhões restantes serão destinados às empresas da cadeia do agronegócio.

Redução de juros

Entre os destaques está a redução das taxas em um ponto percentual para linhas de custeio, investimento e comercialização para a agricultura empresarial. O médio produtor rural terá direito à fatia de R$ 15,5 bilhões pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural.

Já a agricultura familiar terá, pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), R$ 14,6 bilhões. Serão mantidas as taxas de financiamento de 2,5% a 5,5% ao ano. A linha de crédito Pronaf Mais Alimentos terá R$ 6,5 bilhões. O Programa Agricultura de Baixo Carbono terá R$ 1,5 bilhões em financiamento.

Outro R$ 1 bilhão será voltado para o Programa de Construção e Ampliação de Armazéns. Será ofertado também R$ 1 bilhão por meio do Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária). A abrangência do programa foi ampliada e inclui agora equipamentos de agricultura de precisão e de sistemas de conectividade para a gestão das atividades agropecuárias, entre as atividades financiadas. O Banco do Brasil estima aplicar R$ 700 milhões para operações de investimento pelo Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras).

Faemg emite nota sobre o plano Safra 2017 (leia abaixo)

O Governo Federal anunciou o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018. A FAEMG analisou o conteúdo do plano e concluiu que, mesmo compreendendo as dificuldades do momento, mesmo observando algumas vantagens e retomadas, o plano poderia ter sido mais ousado, o que implicaria melhores resultados na produção e, consequentemente, maior escalada e retomada do aquecimento da economia.

O volume anunciado é de R$188,4 bilhões, valor inferior ao proposto pela CNA e apenas 2,45% maior que o volume do plano anterior. Só o custo médio da produção subiu 13,5% de 2016 para 2017.
A taxa de juros foi reduzida em um ponto percentual. O pleito da CNA foi parcialmente atendido, pois a proposta de redução era de dois pontos percentuais.

No que se refere ao seguro rural, item em que é preciso avançar a passos largos, o anúncio deixou a desejar. A proposta da CNA era de R$1,2 bilhão para 2018. Porém, foram anunciados apenas R$550 milhões, apesar de representar aumento de 37,5% em relação a 2017.

O Plano também reduziu os prazos máximos para reembolso do custeio agrícola (de 24 para 14 meses), ABC (de 15 para 12 meses), Moderfrota (de 8 para 7 anos), Moderinfra (de 12 para 10 anos), Procap-Agro (de 6 para 2 anos) e Prodecoop (de 12 para 10 anos). A realidade do setor e de toda a economia não corresponde à redução de prazos para pagamento, mas, ao contrário, ampliação para maior segurança na produção, no resultado e, consequentemente, na necessária liquidez da atividade.

Há, também, pontos positivos: atenção ao crédito para armazenagem, grande gargalo da produção, pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns – PCA, com redução de dois pontos percentuais na taxa de juros; a inclusão de novos itens financiáveis no Inovagro; ampliação das fontes de financiamento; retomada do programa para renovação de canaviais – Pró-Renova Rural, entre outros itens.

Não se pode deixar de reconhecer que, na construção do Plano 2017/2018, houve significativo avanço no diálogo das nossas entidades representativas com o governo federal, com as instituições de crédito e seguradoras para que as políticas adotadas sejam mais apropriadas à realidade agropecuária, especialmente quanto à gestão dos riscos.

A FAEMG esteve presente na construção das propostas que foram compiladas e capitaneadas pela CNA para a discussão com o governo e demais setores envolvidos na elaboração final do plano anunciado. A Federação espera e atuará para que, independentemente do momento político e de seus rumos, as cifras a nunciadas sejam executadas, com novas conquistas produtivas e resultados satisfatórios aos produtores.

Enfim, era esperada maior sensibilidade do governo federal neste plano, acatando pedidos que, ano a ano, são apresentados pela CNA e FAEMG, em razão da imensa contribuição que o produtor rural, a duras penas, deu ao país neste período de grave crise econômica.

Texto: Redação com informações da Agência Brasil

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