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Copa do Mundo de 1962!

Ela aconteceu no Chile. O mundo admirava e aplaudia o futebol brasileiro. O técnico campeão de 58, Vicente Feola, não pôde comandar os camisas amarelas, por motivo de saúde débil. Quem o substituiu foi Aymoré Moreira.
Pelé explodia nos gramados. O Santos era o colírio da humanidade, com seu fantástico time, protagonizado pelo Rei do Futebol.

O que hoje seria inadmissível, comum naquela época: toda a imprensa da tribuna de honra, por superstição, usava obrigatoriamente a mesma roupa do primeiro jogo do Brasil. Quem desobedecesse seria denunciado pelos colegas e retirado do local.

Na semifinal contra o Chile, antes do jogo, os atletas canarinhos comeram pão com mortadela. Os dirigentes ficaram receosos com o pessoal do hotel. Temeram que colocassem algo estranho, prejudicial, na comida dos brasileiros.
Pelé teve uma grave contusão muscular, a qual o afastou da competição. O desespero tomou conta da nação tupiniquim. Sem o Rei, o sonho do bi ficava longe demais. No desespero, Garrincha tentou convencer o chefe da delegação brasileira a trazer para o Chile a benzedeira favorita de sua cidadezinha do interior do Rio, para curar Pelé. Nas ruas, viam-se torcedores com o radinho de pilha colado ao ouvido. Garimpavam notícias frescas sobre a recuperação de nossa pérola negra e melhor craque do mundo.

Não teve jeito. O destino foi cruel. Pelé fora do mundial. O substituto de nossa pérola negra foi o obscuro Amarildo, um meia comunzinho do Botafogo carioca. Amarildo foi inteligente. Chutava forte, ficando sempre ligado às jogadaças de Garrincha. O homem das pernas tortas virou um leão nos confrontos mais importantes do futebol. Faltou fazer chover.

Como tiririca e cornetas dão até em asfalto, na guerra do Chile eles estavam lá, com a língua enorme e bem solta. Juravam que o time canarinho estava velho demais. Sem Pelé, ainda, sem chances.

Seu Mané superou 1958. Parecia que se despedia de sua lua de mel com o esporte-rei. Estraçalhou tudo. Brasil engoliu todos, chegando à semifinal com o Chile, time da casa.

Estádio nacional lotado. Pressão sem limites. Caldeirão sul-americano fervendo. Garrincha ignorou a lógica. Acabou com o adversário com seus dribles fantásticos e ainda meteu dois golaços. Vencemos por 4 a 2.

O intrigante é que seu Mané foi expulso no final do jogo. Recebeu uma cusparada e revidou com um soco. A punição era pesada. Naquela época, não havia suspensão automática, nem cartões amarelos. Os julgamentos eram realizados às vésperas dos jogos. Estaria nosso semideus ausente da final rumo ao bi?

Um dia antes da finalíssima do campeonato, no tribunal, o árbitro relatou que foi o bandeirinha a testemunha que flagrou nosso atleta dando um soco no chileno. Era essencial a presença do acusador diante dos juízes do esporte. O bandeira não compareceu, nem foi encontrado. Garrincha foi absolvido por falta de provas. Estava livre para a decisão o atleta acima do comum, do time brasileiro.

Brasil conquista ali o bi campeonato do mundo! Vencemos os tchecos por 3 a 1.

Segundo a turma do amendoim, o bandeirinha uruguaio faltoso ao julgamento foi visto nas praias do Rio de Janeiro, dias depois, curtindo as luxúrias do Copacabana Palace com seus familiares, com todas as despesas pagas. Os cartolas brasileiros, desde aquela época, mostravam sua sagacidade.

Poucas anos depois, após esses momentos de glórias, Garrincha entrou em declínio, graças a sua inocência com o mundo cheio de armadilhas, vindo a falecer praticamente na miséria.

Texto: Lucimar César

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