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A Companha Mineira Autoviação Intermunicipal

Foto: Divulgação

Fernando Vilela foi muito atrevido e corajoso ao instalar a primeira empresa construtora de rodovias do Brasil Central (alguns dizem do Brasil) e adquirir os primeiros veículos automotivos que circularam na região, em 1912. Quando agente executivo de Ituiutaba, ele conversou com seu engenheiro, o Paes Leme, sobre a construção de uma estrada entre Uberabinha e aquela cidade.

Quando os dois entregaram à população o primeiro serviço público de captação e distribuição de água do Triângulo, ao responder aos elogios dos oradores, Fernando Vilela expôs sua ideia atrevida de construir essa estrada. Deixando a Câmara, Vilela e Paes Leme vieram para Uberabinha. Vilela, após vender, com seus irmãos coerdeiros, a Fazenda Pirapitinga, que tinha a área de 10.800 alqueires mineiros, aos ingleses da Southern Territories Limited e alienar parte da herança de sua esposa na Fazenda Segundo Salto, aplicou tudo na instalação da sua Companhia Mineira Autoviação Intermunicipal. E fez uma sociedade anônima. Uma loucura. O Brasil Central e o Oeste todo não possuíam estrada nenhuma, nenhum carro, nenhum mecânico, nenhum posto de combustíveis, nenhuma casa de peças. Estrada pra quê? Paes Leme, para fazer o traçado da rodovia, percorreu toda a região por onde devia passar a estrada, com seu automóvel, pelos caminhos dos carros de bois. O trajeto marcado por ele permanece útil até hoje, em grande parte, sob o asfalto da BR-365. No dia 12 de agosto de 1912 foi instalada a empresa, com um capital de 250 contos de réis dividido em 1.250 ações. A estrada, partindo de Uberabinha, demandava Vila Platina, passando por Monte Alegre, com desvio em Xapetuba para Tupaciguara e Alvorada (Araporã) e, de Monte Alegre, seguindo para Avatinguara, até Santa Rita do Paranaíba (Itumbiara). Em Avatinguara, um ramo se desviava para a esquerda, buscando Vila Platina (Ituiutaba). Mais tarde foi aberto outro ramal partindo de Monte Alegre para Prata.

Em setembro, foi inaugurado o primeiro trecho (Uberabinha – Monte Alegre), com 72 km. A construção foi feita a machado, enxada, pá e picareta. Esse trecho foi a primeira rodovia construída no Brasil Central.

Fontes: Hélio Benício de Paiva, Antônio Pereira da Silva, Régis Bittencourt, Waltercides Silva.
Texto: Antônio Pereira

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