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Empresas primeiro escalão – só competentes

Foto: Hélio Mendes

Temos acompanhado, dentro dos nossos limites, a evolução das Teorias das Organizações. Este limite tem, contudo, ampliado em razão da complexidade do ambiente em que as organizações vivem. Antes bastava ler o melhor jornal, a melhor revista, participar do congresso anual. Isso era o suficiente para estar entre os poucos e mais informados – uma postura válida para a maioria das profissões. Faço hoje dez vezes mais, e esta visibilidade é menor, o que não é novidade para ninguém.

O ambiente das organizações oferecia informações para todos, principalmente, para os poucos interessados. Os nossos processos e produtos possuíam um longo ciclo de vida: clientes fiéis, comércio interno, pouca concorrência. Neste ambiente, os executivos e gerentes medianos tinham a chance de serem avaliados como excelentes profissionais, usando muitos até de subterfúgios para esconder as suas deficiências, como tocar violão, organizar festas para agradar aos proprietários ou a seus filhos. Muitos chegavam ao poder não pelo desempenho, pela capacidade de contribuir com os resultados, mas por viver na “corte do príncipe” e perto dos competentes.

O mundo das organizações está ficando mais exigente. No primeiro escalão das empresas estão ficando de fato os considerados competentes, os profissionais de organização, o grupo dos ‘caroneiros”, que agrada o empresário estão diminuindo. Muitos ainda enganam, mas acredito que seus dias estejam contados. Vão ter que mostrar resultados, só amizade com o rei não vai mais garantir o seu lugar na corte, muito menos no primeiro escalão. Acredito que esta transformação vai demorar, mas vai chegar também às empresas públicas.

Outro fator importante é ocupar o cargo por ter um ou dois cursos de pós-graduação. Esta é a mais nova possibilidade de enganar, mas dura pouco tempo. Diploma não é sinal de competência, diploma não garante resultado, há muito ”burro carregado de livros”, uma expressão que um respeitado empresário usou recentemente em uma palestra. Aqueles, na maioria das vezes, têm uma frase e um projeto para todas as situações, mas não conseguem comprar a própria gravata e às vezes nem conseguem dar o nó, mas enganam durante bom tempo, como gerente ou até como professor. Mas, se ficarem sozinhos no comando, o barco afunda em poucas horas. As empresas e as escolas já descobriram: amizade, lealdade e curso de pós-graduação não é, e nunca foi, garantia de bons resultados.

Vejo que o grande motivo para estas mudanças é a hipercompetição e a informação que hoje está à disposição de todos. A diferença está de fato na competência de ocupar um cargo e garantir resultados para a organização. No primeiro escalão das organizações e principalmente nos conselhos de administração, há necessidade de se ter profissionais, críticos, com pouca preocupação em agradar o dono, mas com conhecimento comprovado. Pode-se ter um bom currículo sim, mas que saiba tomar decisões objetivas que garanta a rentabilidade do negócio. Isso é o mais importante. Neste caso não há necessidade de ser amigo do presidente.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão.

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