Destaque Música Rock

Mais uma perda no mundo do rock. Morre Chester Bennington

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Não gostei de primeira. Demorei a gostar do som da banda. No início dos 2000, eu ainda era um defensor do rock n’ roll dos anos 70 e 80. Aprendi a gostar do gênero ouvindo Beatles e me mantive conservador por bastante tempo. Não queria aceitar um som novo. Não queria dar o braço a torcer para as novas bandas. Depois do Linkin Park, com seu nu-metal, surgiram uma infinidade de outras bandas com estilos diversos. Emo, indie, post-punk revival, e stoner (re)surgiram dominando completamente a cena roqueira.

Quando apareceram na MTV, torci o nariz. Implicava muito com a voz, com os berros e os elementos eletrônicos inseridos. Bastava iniciar o clipe de “In The End” para eu começar a resmungar. Era um show de ofensas, e eram xingamentos de uma época onde o politicamente correto era praticamente inexistente. Sempre falava: – Duvido que consiga cantar assim nos shows. Realmente não era uma tarefa fácil. Quem canta sabe muito bem que berrar daquele jeito é algo difícil de se manter. Mas mesmo conseguindo ou não, eu não ia com a cara do camarada. – Não gosto de Chester nem no Natal. Sim, péssima essa, mas era assim o tratamento. E ai de quem gostasse, se um se manifestasse a favor logo ia eu comparar com o Led Zeppelin. Meu objetivo era dar um fim naquilo.

Definitivamente, Chester Bennington não me descia.

Demorou, mas acabei gostando. O Linkin Park era uma banda consolidada quando realmente passei a ouvir suas músicas. Nunca virei fã e nunca serei. Apenas de uns tempos pra cá aprendi a gostar e respeitar o som dos caras. E principalmente a apreciar a voz de Chester Bennington. Para muitos, uma referência vocal dos anos 2000. Acho nem de longe um dos maiores vocalistas de todos os tempos, e se pedissem para montar uma lista com 20 nomes, certamente estaria de fora. O que não quer dizer que não gosto do cara. Apenas não o acho o máximo como muitos. Uma coisa é certa, Chester tinha um estilo e concorde ou não, deixou seu nome na história. Não se vê um álbum de estreia vender mais de 20 milhões de cópias em qualquer esquina. Bato palmas pelo feito.

Infelizmente, principalmente para família, amigos e fãs, Chester decidiu partir. Os jornais de todo o mundo noticiaram há poucas horas seu suicídio. De uns tempos pra cá vem se tornando um ato cada vez mais comum entre os artistas de rock. Qual será o martírio que os aflige tanto? Há uma explicação lógica para todas essas mortes? Fama? Dinheiro? Superexposição? Seja qual for a explicação, tudo isso não passa de grandes tragédias e lamentos.

Chester nasceu em Phoenix. Aprendeu a gostar de rock com Loverboy, Rush e The Doors. Último a entrar para a banda que o projetou para o mundo, Chester alcançou fama no ano 2000 com o álbum “Hybrid Theory”. Não demorou muito para o Linkin Park se tornar o principal nome do nu-metal e rap rock.

Chester era casado e deixa seis filhos aos 41 anos.

Na playlist de hoje, selecionei alguns sucessos do Linkin Park.

Texto: Anderson Tissa
Foto: Divulgação

Notícias relacionadas