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Appetite for Destruction: um álbum para sempre

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Para quem não sabe trabalhei numa agência que prestava serviços à dupla Victor e Leo. Foi pouco antes desses dois sertanejos estourarem no Brasil. Durante os oito meses em que estive na equipe vi a os irmãos saírem de cachês bem baixos e chegarem a cifras milionárias. Em 2007, lançaram o primeiro DVD da carreira, Ao Vivo em Uberlândia, gravado no Camaru. Assisti ao show. Esse projeto reuniu um compilado de canções dos álbuns anteriores e projetou a dupla para o país inteiro.

Por que estou contando isso? Dez anos depois, me lembro de um refrão ou outro da obra dos caras. Muito diferente do que fez o Guns n’ Roses há 30 anos com Appetite for Destruction. Um disco inquestionável, que para muitos foi o melhor lançamento dos anos 80, superando o triunfal Back in Black, do AC/DC.

Canto todas as músicas de Appetite for Destruction de trás pra frente. Me recordo, assim como muitos, de todas as faixas que ainda insistem em não se tornarem enjoativas. Mesmo 30 anos depois, as canções lançadas em julho de 1987 pelo Guns, tocam em rádio, fazem parte de playlists, ganham versões eletrônicas a cada nascimento de um DJ, são trilhas de filmes e não saem da boca dos fãs de rock.

Sendo totalmente honesto, Sweet Child O’ Mine, nona música do disco, que virou hino mundial, deu no saco. Tocou tanto, foi tão executada durante essas três décadas que cantores de bandas cover e de barzinhos preferem tocar Victor e Leo do que essa canção.

Appetite for Destruction é um álbum repleto de músicas sujas, perigosas, divertidas e com histórias bizarras. Uma delas foi a transa de Axl com uma garota no estúdio, os gemidos acabaram sendo incluídos na faixa Rocket Queen. O vocalista também expôs diversas tragédias pessoais da amiga Michelle Young, como o suicídio da mãe, em My Michelle. Apesar da superexposição, Michelle acabou agradecendo a Axl pela atenção que recebeu após o sucesso da música.

O álbum ainda conta com a selvagem Welcome To The Jungle, It’s So Easy, Nightrain, Mr. Brownstone e a genial Paradise City.

Appettite for Destruction é inteiramente incrível. Todas as canções são pesadas, criativas, possuem riffs e solos primorosos, e expressam toda energia da América na voz de Axl. Um verdadeiro álbum de rock n’ roll. É uma prova absoluta de que uma obra artística bem trabalhada pode perpetuar e não ser somente um hit de verão. Um clássico é para sempre!

Claro que os fãs do Victor e Leo se recordam das canções daquele álbum de 2007. Mas para a história da música (pelo menos para a música brasileira), sobre ser uma obra de expressão artística, qual relevância terá em 2037? Esperamos pra ver.

Enquanto isso, aguardo ansiosamente o dia do meu embarque para o Rock in Rio para assistir o show dessas lendas vivas do rock. Para relembrar os 30 anos de Appetite for Destruction, que tal aumentar o volume e dar play?

Texto: Anderson Tissa
Foto: BBC/CARDINAL RELEASING LTD/MARC CANTER

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