Economia Expresso

Estratégia competitiva em mundo globalizado

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

É visível para todos que atuam na sociedade das organizações que, à medida que se amplia o processo de globalização, mais difícil se torna a criação, por parte das empresas, de uma estratégia competitiva sustentável.

Países e grandes grupos empresariais são surpreendidos com fatos novos, seja por parte da concorrência, seja dos próprios consumidores. Não há como evitar essas surpresas, o máximo que se pode fazer é adaptar-se mais rápido do que os concorrentes, mas onde eles estão? Será que não estão também sendo surpreendidos por produtos substitutos criados em outros setores, ou por microtendências oriundas de consumidores que passaram a condenar os seus produtos nas redes sociais?

A quebra de paradigmas era medida por década, era normal nas escolas de negócios criar-se marco de escolas ou movimentos a cada dez anos. Nas décadas de 60, 70, 80, 90 era assim. Não dá mais para insistir nesse formato, mas não dá também para ignorá-lo, porque a história sempre dará sua contribuição, porém, não tem a força na construção do futuro das corporações como antes. As preconizadas gerações Y e Z podem e vão contribuir muito com a nova, que é a digitalização da indústria, denominada 4.0, e outras – mas tendo por base o conhecimento construído pela geração X.

Para as empresas e estudiosos de estratégia competitiva, o desafio é imensurável, porque vai muito além de propor algo acima da visão cartesiana. Os preceitos milenares de Sun Tzu continuam sendo utilizados, mas exigindo muito mais do que antes. Para ter validade na construção de uma estratégia competitiva, estamos mais para os segredos judaicos de resolução de problemas, de considerar “o oculto do oculto”.

Em 2001, em São Paulo, participamos de um seminário organizado pela HSM, no qual o principal guru de estratégia, Michael Porter, foi incisivo em afirmar que a “velha” economia e a “nova” iriam se fundir e que a internet iria criar um tipo de competição em rede que suplantaria as empresas de integração vertical. Hoje sentimos com clareza essa previsão.

Nessa visão é importante considerar também o que Porter escreveu no seu livro Vantagem Competitiva das Nações: que “o panorama nacional tem papel central no êxito competitivo das empresas”. Para as empresas brasileiras, criar uma estratégia competitiva sustentável torna-se quase impossível, pelas políticas públicas e pela infraestrutura do País. É visível isso nos setores de commodities, em que a estratégia é criada por quem compra, que está em outros países, define os preços dos produtos e, com menos investimentos, fica com a maior parte do lucro. Para mudar é necessário priorizar educação, passar a utilizar mais a “nova” economia, fazer reformas com foco na produtividade e pensar mais no País.

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão

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