Destaque Expresso Jurídico

Ser pai – um direito ou uma obrigação?

Agosto, mês dos pais – Homenagem a todos, independentemente da resposta

Sebastião Barbosa e Silva Junior, advogado.    Foto: Divulgação

Quando o homem vive a experiência da paternidade, seja quantas vezes forem, acontecem dois nascimentos: o do filho e o do novo pai.

Agora, são duas pessoas estranhas, com histórias diferentes, ponto de vista único, e ambos despreparados para esta nova jornada de união vitalícia.

Todas essas mudanças “estruturais” na vida dos pais e de toda a família são apenas uma parte de todos os efeitos que o nascimento de uma criança proporciona. Ela encanta a todos e vira o centro das atenções e podemos afirmar que ela, literalmente, mexe com a cabeça dos pais.

Alguns começam entender a beleza do direito de ser pai e outros, a dureza da obrigação de ser pai. Daí, qualquer resposta dada à pergunta do nosso tema ficará incompleta.

Ser pai não se resume simplesmente num direito ou numa obrigação. Seja no campo das ciências jurídicas, da sociologia, da filosofia ou qualquer outra ciência.

Por isso, a paternidade é um assunto que não permite discussão, principalmente em juízo, constatada a coautoria da criação, simplesmente a natureza segue com o maior vínculo da vida: criador e criatura.

São, invariavelmente, sem sentido as disputas promovidas pelos pais por guarda e visita de filhos, pensão alimentícia e tantas outras questões que deveriam basear-se simplesmente no sentimento de amor cultivado pelo pai ao filho e vice-versa.

Temos inúmeros exemplos de belas histórias entre pais e filhos, mas, infelizmente, estão muito aquém daquelas contadas com tristeza pela maioria dos filhos – lembrando que pais também são filhos.

Uma área em evidência é o setor produtivo: filhos não seguem mais as atividades dos pais, foi o tempo em que eram “preparados” para continuar o que os pais faziam, ou começar o que os pais gostariam de fazer.

No setor empresarial, vivemos desafios constantes de relacionar os “interesses” dos fundadores das empresas (pais) com os “desejos” dos herdeiros (filhos), que passam por um distanciamento enorme de visão entre esforço e benefícios.

Nos últimos 20 anos, muita coisa mudou em relação às tendências no campo da paternidade, cuidado e trabalho doméstico não remunerado. No entanto, embora as mulheres representem atualmente 40% da força de trabalho remunerada e 50% da produção de alimentos no mundo, em média, elas ainda passam de duas a dez vezes mais tempo cuidando de uma criança ou pessoa mais velha do que os homens.

Apesar disso, o envolvimento de homens na prestação de cuidados está apenas começando a ser reconhecido como uma forma importante e abrangente.

Enfim, é na paternidade que se revela a profundidade do ser masculino, é participando da criação que o homem se realiza por aderir à alegria do próprio Deus. Na paternidade, o homem tem a chance de preencher aquele anseio que, desde a infância, o incita a ser grande.

Com certeza, a paternidade não acontece somente na geração de uma nova vida, mas em toda a formação desse outro ser humano. A cada fase da criança, há uma nova oportunidade de o pai se reinventar enquanto tutor e melhorar como ser humano.

Na verdade, um pai tem a oportunidade de ensinar tudo isso a vida inteira, mas cada uma das fases de desenvolvimento dos filhos proporciona que eles os vivam da melhor forma.

Não basta querermos ensinar valores, é preciso que o outro esteja preparado para absorver e experienciar tais princípios.

Uma qualidade inegável do pai é ser corajoso em acreditar num futuro melhor, então, agora no mês de sua homenagem, tome uma atitude de muita coragem: abrace seu pai (quem ainda o tiver) e abrace seu filho com uma sincera declaração: VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!

Feliz Dia dos Pais!

 

Texto: Sebastião Barbosa e Silva Junior
Advogado Empresarial

Notícias relacionadas