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Cidades brasileiras em declínio

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Passou duas décadas e nada mudou: “A crise das mortas”, classifico como um dos mais sérios e tristes que se pode ler nos últimos anos. Isso porque apresentou, de forma objetiva, um quadro muito triste das cidades brasileiras, realizado por estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o qual “mostrou que 4 mil dos 5,7 municípios brasileiros estão com a economia estagnada ou em decadência. Apenas 800 dos quase 6 mil municípios têm crescimento compatível com padrões de qualidade de vida internacional, sendo que 27% dos municípios teve redução de população. As principais razões foram a precária oferta de serviços públicos e a questão habitacional. Estamos tendo uma espécie de migração de desemprego para cidades que aparentemente oferecem emprego, mas a conseqüência é o crescimento de desemprego onde não havia. As 4 mil cidades mortas estão vivendo com verbas federais do FPM — Fundo de Participação dos Municípios – e com os pagamentos dos aposentados”.

Este declínio é macro, lento e cruel. O impacto é forte e algumas das conseqüências previsíveis, outras não. Temos conhecimento de que muitos são os fatores que contribuem para este quadro, mas esta não é mais a questão: “o leite já derramou”, a discussão agora é o que fazer para reverter esta situação. A tarefa não pode ser apenas dos governos, mas de toda a população. A bem da verdade, muitos municípios foram criados por critério eleitoreiro ou pela vontade de emancipar dos seus moradores, sem um estudo sério. Outros estão neste estado em razão da economia local não ter sido suficiente para garantir um desenvolvimento sustentável. Uma opção é o caminho de volta. Os municípios que não estão conseguindo renda suficiente para se manter, voltarem a ser distritos das cidades- polo, enxugando as suas despesas e vivendo não mais de paternalismo, mas adequando-se à sua realidade – o que normalmente faz toda empresa e família quando a realidade é esta.

Mas será que as nossas lideranças terão coragem de propor esta discussão, será que há desprendimento da população envolvida em aceitar tal análise e fazer este retorno? Acredito que não, mas é necessário abrir esta discussão, porque o que está ficando cada vez mais claro é que o modelo faliu.

Temos que reagir com coragem, com idealismo, para garantir para as futuras gerações no mínimo o que herdamos. Não quero debitar esta situação apenas à classe política, mas ao nível cultural e às adversidades que vivemos até aqui. Temos nos preocupado muito com o local, se assim posso dizer, e esquecendo o todo. O horizonte da maioria tem sido o do muro de sua residência ou o interesse pessoal, mas não podemos continuar nesta posição. Temos que discutir sem paixão uma reforma de tudo que foi feito neste país. Não podemos manter mais este modelo, não dá mais para poucos municípios carregarem a maioria.

 

Texto:Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão.

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