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Vergonha é pouco para explicar o que sentimos

Foto: Flickr

Para classificar o momento atual, falar que estamos com vergonha é pouco para explicar o que sentimos. Os nossos dirigentes perdem cada dia mais o senso de ridículo e de honestidade. Propor aumento de impostos e ao mesmo tempo certas áreas do governo aumentarem os gastos… é considerar que somos palhaços.

Temos um governo sem legitimidade e sem projeto, um governo perdido, que deixa o brasileiro em uma situação de incerteza, delicada. Não se pode pensar em investimentos e hoje não se tem em quem confiar. Se Temer sair, quem poderá substituí-lo? Temos uma classe política contaminada, as principais lideranças estão em alguma lista. Nunca tivemos na história do País uma situação como esta. Não temos liderança e ainda corremos o risco de surgir um “populista salvador da pátria” em 2018.

A expectativa da maioria da população era que o governo tomasse medidas de acordo com o cenário, que é de crise, ou seja, cortar custos, rever os contratos, cortar cargos de confiança, diminuir o tamanho da máquina pública; medidas de austeridade, e o mais importante, que começasse a profissionalizar a gestão pública. A boa gestão não é a que toma medidas simplistas, como aumentar impostos, mas a que procura fazer mais com menos – o que qualquer estudante do primeiro período de Administração trata como produtividade, cuja prática parece ser desconhecida pela maioria dos nossos gestores públicos.

Aliás, é normal no Brasil haver, nos três planos de governo, pessoas que não têm o mínimo conhecimento de gestão passarem a administrar o País, um estado, uma prefeitura ou uma secretaria. Uma das formas de avaliar é verificar a declaração de renda dos gestores públicos: um número significativo dos que ocupam cargos públicos não possui o mínimo de competência em gestão. Se for gerenciar um negócio simples, com um produto só, quebrará em um mês. Um descaso com a coisa pública.

Há uma necessidade de mudar a forma de escolher os gestores públicos, não pode mais predominar o fato de ser amigo ou porque trabalhou na campanha, é necessário ser competente e honesto. E muito menos trocar cargos por votos. A coisa pública, pelo alcance social, deveria ser a mais bem administrada. Mas não é o que acontece, na maioria das vezes.

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