Música

10 Perguntas para a banda Lava Divers

Fizemos 10 perguntas ao vocalista da banda mineira que acaba de lançar seu primeiro álbum, o Plush

Foto: Moviola Mídia Livre

Não é de hoje que o Triângulo Mineiro é berço de bandas que se destacam no cenário musical nacional, um desses grandes destaques é a Lava Divers, com integrantes de Uberlândia e Araguari. O som é uma mistura de grunge, pós-punk e muita referência do rock sujo dos anos 90. Formada por Joe Porto (Voz/Guitarra), Ana Zumpano (Bateria/Voz), Glauco Ribeiro (Baixo/Voz) e Eddie Shumway (Guitarra), a banda começou em 2014 e já gravou um EP, quatro clipes e participam de grandes festivais de música no Brasil. Só neste ano, em meio a diversos shows, tocaram no Festival Bananada, Stereo Lab Festival e, o mais recente, Circadélica.

No final de Julho, o Lava Divers lançou seu primeiro álbum, o Plush, pelo selo Midsummer Madness. Optaram por disponibilizar todas as músicas na internet e, assim como o EP, também será lançado futuramente o formato em vinil. A arte da capa chamou muita atenção no lançamento, foi fotografada pelas meninas do Moviola, Ana Carolina Moraes e Olívia Franco, com direção de arte de João Paulo Pesce da banda Young Lights. A capa é repleta de bichos de pelúcia, que traduz bem o nome “Plush”, misturados com algumas surpresas, entre elas, a cadelinha Lolla, animal de estimação do baixista Glauco Ribeiro. O álbum foi gravado no Estúdio Rocklab em Goiânia, produzido e mixado por Gustavo Vazquez que também já produziu artistas como Violins, Macaco Bong e Black Drawing Chalks.

A banda também se destaca por ter uma forte presença feminina, Ana Zumpano, a baterista, trouxe muitos vocais nas novas músicas e composições impecáveis, como na faixa Tearsfall.

Para falar mais sobre a banda e o novo álbum, convidamos o vocalista do Lava Divers, Joe Porto, para responder 10 perguntas.

Capa do álbum Plush, 2017. Foto por Moviola Mídia Livre. Direto de arte: João Paulo Pesce

 

1 – Você falou recentemente que esse álbum era o que mais falava sobre vocês. Por que esse álbum tem essa carga pessoal e por qual motivo ele fala tanto sobre vocês?

Joe: Grande parte das letras ali é sobre coisas altamente pessoais. Algumas, do Eddie, são mais sobre situações de ficção e tal (ele vai negar, mas eu tenho certeza que são alegorias de coisas que passam naquele coraçãozinho lá). Acho que tem a ver com o nosso jeito de compôr, onde a melodia da música surge primeiro e as letras vêm depois, inspiradas pelo que aquela melodia nos traz e tal, isso torna o processo mais pessoal e talvez por isso essa catarse.Também, esses 3 anos foram intensos pra nós, tanto como banda ou como indivíduos mesmo.

2 – O que vocês sentiram sobre a evolução da banda enquanto faziam esse álbum? Deu pra perceber que vocês estão diferentes?

Joe: Sem dúvida. Quando Glauco e eu tivemos a ideia pra banda a gente tava num show do Suede; ou seja, não que a gente quisesse soar como eles, mas a gente tava flertando mais com o britpop, o shoegaze com guitarras cheias de reverb e tal. Quando a gente achou o Eddie e a Ana, eles também estavam com essa ideia. Mas aí, com o tempo, as composições foram tomando naturalmente um ar mais guitar band, flertando mais com o punk, o grunge, o noise, o college rock em geral. É difícil pra mim falar como o disco soa, porque certamente minha visão seria enviesada. Mas me arrisco a dizer que se o EP era mais shoegaze, talvez o disco novo tenha um pouco menos de reverb e um pouco mais de força. Adoraríamos ter gravado um disco punk, na verdade: resta saber se funcionou ou não. Em termos de amadurecimento, sem dúvida estávamos mais atentos a detalhe de produção, lançamento e arranjamento das músicas, mas acho que fica por aí.

3 – A capa do disco Plush teve uma ótima aceitação nas redes sociais quando vocês liberaram a arte antes mesmo do lançamento das músicas, realmente ficou muito boa. De quem foi a ideia dos bichos de pelúcia? Além de ter sintonia com o nome Plush, tem algum outro significado especial?

Joe: A ideia foi do Glauco. A gente fez diversos brainstorms de capas, demoramos muito pra decidir. Pensamos de tudo, mas acho que a ideia do cara é a que mais corresponde em relação a algo que é da identidade da banda: suavidade e simplicidade de melodias, mas com força e barulho, com um ar nostálgico noventista, que é que a gente ama. O nome surgiu depois da ideia da capa e foi um processo bem natural. As meninas do Moviola e o João Paulo Pesci executaram melhor do que eu imaginaria que fosse.

4 – Vocês também tiveram uma equipe de amigos pra produzir esse álbum, quais foram essas parcerias?

Joe: Tivemos ajuda sempre, em todas as esferas. Seja na hora de ouvir as músicas novas, seja na hora de ajudar na produção de fotos, facilitar ensaios, emprestar instrumentos, trabalhos de alta qualidade quase de graça por gente foda somente por acreditar no projeto, arrumar lugar pra gente ou pra bandas amigas dormirem, na hora de fazer as camiseta, etc. A Lava jamais teria nem chegado perto de fazer esse pouco que fizemos sem a ajuda de muita, muita gente. Se eu fosse citar aqui, ia ficar parecendo a lista telefônica.

5 – Quais foram as influências musicais nesse álbum?

Joe: Como eu disse, acho que tá menos shoegaze e mais um “noise pop”, se é que pode se chamar assim. Nós 4 temos gostos em comum pra caramba (bandas como Ramones, Nirvana, Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club, Pixies, Husker Du são consenso), mas também ouvimos muitas coisas diferentes, que acabam influenciando no som. Se eu disser, por exemplo, que esse disco tem um pouco de Cindy Lauper, te juro que não vou estar mentindo nem um pouco.

6 – Além da bateria, a Ana tem muita participação nos vocais neste álbum. Muitas meninas se identificam com a banda ao ver uma mulher fazendo parte, expliquem como vocês enxergam a importância disso.

Joe: Conheci a Ana como artista, desde a primeira vez que a gente trocou ideia. Sempre admirei demais o trabalho dela, na verdade, “os” trabalhos, porque aquela ali já arrumou de tudo no meio artístico. Se já prazeroso ter ela com a gente somente pelo talento, mais ainda sabendo o que esse papel representativo dela pode fazer pela causa feminista. É um prazer e uma honra a gente fazer parte disso de alguma forma. Pra mim, a Ana é uma artista e tanto que tem muito o que oferecer, tanto em obra quanto em discurso. Temos muito orgulho do que ela representa.

7 – Ainda sobre a presença de mulheres em bandas, vocês têm tocado com muitas bandas que também tem mulheres, quais bandas vocês já tocaram junto e quais bandas nacionais vocês indicam pra quem quer ver mais representatividade feminina na música e na cena alternativa?

Joe: As minas tão tomando conta, essa é a verdade. Maior parte das bandas que a gente admira tem ao menos um componente feminino, seja o Loomer, o Miêta, o My Magic Glowing Lens, o Brvnks… não resta a menor dúvida que as minas, além de salvar a esquerda, tão salvando o rock também. Muito bom poder estar no rolê pra ver isso acontecer.

8 – Vocês participaram de muitos festivais recentemente, quais foram mais marcantes pra vocês? Tem algum em especial?

Joe: Fizemos o Bananada, o Stereolab, o Dia da Música e, mais recentemente o Circadélica. Todos muito bons, cada um teve sua magia ali, é bem difícil escolher um só. Se a gente for usar o critério de line up, fica mais difícil ainda, porque a gente tocou com muita banda foda. Mas pela coragem, pioneirismo e independência, o Stereolab, de Uberaba, teve um sabor especial; a Bruna e a Letícia (Laboratório 96 – Uberaba) mitaram, na cara e na coragem.

9 – Vocês escolheram compartilhar o álbum completo no Spotify, muitas bandas e artistas não fazem isso por achar que pode prejudicar a banda em alguns aspectos, inclusive financeiro. Por que vocês decidiram disponibilizar tudo em plataformas públicas?

Joe: Todos nós somos consumidores de música gratuita na internet. Como a gente é velho, vivemos na época que isso era polêmica, que o Lars (Metallica) aparecia no intervalo do VMA pregando adesivo do Napster nos pertences de um cara e dizendo: “É isso que você está fazendo comigo quando pirateia minhas músicas”. Hoje, não tem como pensar mais assim, nem se o artista quiser. O importante, tanto financeiramente quanto pelo gosto como artista em si, é que a maior parte das pessoas consiga ouvir o que você fez. E, em tempos de atenção breve, qualquer minuto do foco de alguém já é um presente pra gente.

10 – Existe alguma música favorita para vocês no Plush?

Joe: Favorita? Caramba… difícil isso aí. Eu não consigo, sei lá, parece escolher filho. Acho que essa tarefa aí, ninguém da banda consegue também. Vale dizer que o coração é grande e cabe todas?

Quem quiser ouvir o Plush, está disponível na íntegra no Spotify:

Confira aqui também o clipe da nova música Tearsfall:

Para conhecer e acompanhar a banda:
https://www.facebook.com/lavadivers/
https://lavadivers.bandcamp.com/
http://www.lavadivers.com.br/

Texto: Amanda Magnino

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